quinta-feira, 14 de abril de 2005

O finde promete!

Imagem do site Buoyweather | 18h15 |

A imagem acima é da bóia localizada na altura de Porto Alegre / RS, mas se você está em outra região - ou está indo para outro lugar - vai no Buoyweather e faça sua própria consulta.

Mas fique atento pois a previsão muda a cada hora. Vale à pena ficar consultando várias vezes por dia para acompanhar como a coisa está se configurando.

terça-feira, 12 de abril de 2005

Frio e perfeito

Fort Point | San Franciso | CA | EUA
(Valeu pela foto, Tora)


Quem já teve a oportunidade de conhecer San Franciso sabe que trata-se de um lugar inesquecível.

O que pouca gente sabe é que em baixo da ponte Golden Gate há um tesouro.

Fort Point é um daqueles picos que demoram a acordar. Exige condições especialíssimas para quebrar, mas quando acontece...

O único problema é que é muito frio e poluído. Imagine que ali é a saída da baía que fica às margens das cidades de San Franciso e Oakland entre outras menores. Mas vamos combinar: com estas ondas, quem vai se preocupar com o frio e a sujeira??

segunda-feira, 11 de abril de 2005

Visual limpo

Assim é que deve ser: só o mar e a areia - sem quiosques.

Ainda pode-se ver nos cantos da imagem, automóveis na praia, mas este problema também devemos resolver mais adiante, se Deus quiser.
Por hora, a boa notícia é que uma parte do problema está sendo resolvida com a retirada dos quiosques da beira da praia.

Não suportávavamos mais a sujeira causada pela presença destes quiosques que mais parecem barracos. Durante o veraneio, é ao redor deles que a "tigrada" se reúne para tomar umas e outras ao som de um pagode, de preferência no volume mais alto. Ao final da tarde, o zoológico que se formava ali era absurdo.
Depois, durante os meses de inverno eles literalmente se transformavam em barracos, servindo de trocador e até banheiro para os surfistas mais desesperados.

Na verdade, estas construções davam à beira da praia um aspecto sujo e feio.

Não mais. Tramandaí está começando a trilhar um caminho que, se continuar a ser seguido, a levará a ser considerada uma das praias mais belas do nosso litoral.

Só nos resta agora eliminar os automóveis da beira-mar. Mas esta é uma outra estória. Há um desafio aí, mas temos um tempinho para tomar fôlego. A situação ficará crítica quando o final do ano se aproximar. Até lá, devemos nos preparar para uma nova batalha. A da temporada que passou, surtiu efeito no final de fevereiro, com a proibição parcial do acesso dos automóveis à areia. Precisamos conseguir que a Prefeitura e Brigada Militar, proibam totalmente o acesso e já a partir de dezembro deste ano.

Está lançado o desafio.

Esquerda de sonho

É exatamente o que eu estava precisando agora.

Lembra Puerto, mas não é.
La Punta, ainda em Puerto, possibilidade.
Bali, Hawaii, Nova Zelândia...

Faz diferença?

É uma esquerda de sonho e pronto!

Começa a retirada dos quiosques em Tramandaí

(Litoral Notícias | 11/4/2005)
Com o prazo expirando no dia 12 de abril, os quiosques da orla de Tramandaí já começaram a ser retirados.

Os proprietários foram notificados pela Prefeitura que teriam de sair há 30 dias. Muitos ainda estão abrindo e tentam aproveitar o resto de tempo que têm. Os que já fecharam, tiveram os quiosques demolidos. A retirada é uma exigência da Secretaria de Patrimônio da União - SPU.

A Prefeitura de Tramandaí conseguiu ampliar o prazo para essa medida, que estava prevista para o início de 2004.
Agora, a Justiça determina que o município cumpra o acordo, feito através de um termo de ajustamento.

“Estamos dando tempo para que os quiosqueiros possam encerrar suas atividades e fazer a retirada de seus pertences com calma, sabemos que é um momento de muita incerteza para dezenas de famílias”, disse o secretário de Meio Ambiente, Renildo Chagas. De acordo com o secretário, em breve o prefeito Rapaki estará convocando os quiosqueiros para uma reunião que vai definir a próxima temporada.

quarta-feira, 6 de abril de 2005

Goiabada

Se você está gostando do que está vendo - e lendo - aqui, vai gostar muito mais de ler o que está no espaço chamado "Goiabada" do amigo Julio Adler. Clica ali e deleite-se.

Há muito tempo tenho o prazer de acompanhar os textos dele. Suas colunas sempre me deram a certeza de que, sim, no Brasil também temos bons escritores do surfe. Escritores que analisam o nosso comportamento sob um olhar crítico. Daqueles que não dizem amém para tudo que vem escrito em inglês. Um verdadeiro jornalista-crítico-surfista-tupiniquim.
Ultimamente vinha lendo o Júlio na revista Surf Portugal. Só que de uns tempos pra cá, a revista desapareceu das bancas gaúchas. Foi um problema, pois além de perder o acesso ao surfe europeu através de uma revista muito boa, também perdi o prazer de ler os textos dele.

Agora não mais. A não ser que o Júlio tire do ar a sua Goiabada, tenho a garantia de receber suas colunas à domicílio, direto na telinha do meu iBook. Quanta mordomia!

terça-feira, 5 de abril de 2005

Monday Morning Wave

Desde que me cadastrei no "Monday Morning Wave", no site da revista Surfer's Path, sou brindado todas as segundas-feiras com este tipo de imagem no meu e-mail:

Nova Zelandia | Foto:Paul Kennedy (Monday Morning Wave)

A revista inglesa Surfer's Path, parece ser muito bacana. Na verdade nunca tive nenhuma edição nas mãos - nem parece que vou ter, pois US$ 45,00 por 6 edições é muito para este pobre bolso.

Mas o que me chamou a atenção desde o momento em que tomei conhecimento da revista foi o seu belo projeto gráfico (que vi pelo site) e o fato de ser uma publicação ecologicamente correta - a edição atual, número 42, é a primeira "green" surf magazine. Ela é impressa com papel 100% reciclado.

Não sou nenhum patrulhador do verde, mas acho bacana saber que existem revistas com a qualidade da Surfer's Path por aí e, quem sabe daqui há pouco sobram uns dolarzinhos para eu encomendar minha assinatura.

Por enquanto me alegra receber toda a segunda-feira uma imagem de cair o queixo (como aquela ali em cima) e, no mesmo e-mail, saber onde está acontecendo o "swell da semana".

Surfistas

(Martha Medeiros | Jornal Zero Hora | Quarta-feira | 29/08/2001)

A Veja anuncia cada exemplar com outdoors espalhados pela cidade, mostrando a capa da semana e fazendo referência à reportagem principal através de uma frase de efeito. Funciona, chama a atenção. O outdoor que está veiculando atualmente diz mais ou menos assim: "Dicionário Houaiss. 228.500 verbetes, inclusive as oito palavras que os surfistas já sabem. Ainda bem que surfista não sabe ler, né?".

Eu nunca pratiquei surfe, mas sempre tive uma certa atração pelo esporte, já que gosto de mar e de praia. Por muito tempo o surfe foi considerado um hobby elitista, mas hoje, se não me engano, é o segundo esporte mais praticado no país, ficando atrás apenas do futebol, o que não chega a surpreender, tendo o Brasil uma costa litorânea tão extensa. O surfe emprega pessoas e sustenta famílias, mas quem quer saber de reavaliar conceitos? Uma vez surfista, sempre calhorda.

Nós não pegamos onda, mas sabemos como pegar no pé. E dá-lhe rotular. Todo engenheiro é careta, todo publicitário é mauricinho, todo modelo é burro, todo médico é santo, todo jogador de futebol é ignorante, todo jornalista é de esquerda, todo corretor é chato, todo poeta é viajandão, todo advogado é canalha, todo mecânico é desonesto, e acho que basta de exemplos, lembrando que vale para ambos os sexos. Serão mesmo?

Em alguns casos, são, sim. Só que com um detalhe: o engenheiro careta, se de repente virar um webdesigner, será um webdesigner careta. O publicitário vaidoso, se for trabalhar numa mina de carvão, vai levar um espelhinho escondido na carteira. O corretor xarope, se resolver ser diretor de cinema, vai ser um diretor de cinema daqueles que a gente atravessa a rua para evitar o encontro. Temperamento e QI independem da profissão ou do esporte que a gente escolhe. Não fosse assim a gente diria que todo presidente dos Estados Unidos é inteligente, e, no entanto, quem diria.

Não tenho a menor vontade de conhecer o Havaí, não saberia diferenciar uma parafina de um sabonete e tenho trauma de tatuíra. O desagravo, portanto, vai em nome dos diversos surfistas que conheço que são leitores vorazes, não escutam apenas Foo Fighters e, se não conhecem mais de oito palavras, é em russo. No inglês, frances e espanhol, até que se viram direitinho. Aliás, Gustavo Kuerten, pelo pouco que sei, não me parece um idiota, e não é jogando xadrez que ele descansa do tênis.

Piadinhas, tudo bem, mas preconceito já perdeu a graça.

III Circuito Renner de Surf (1987)

(Matéria da Revista Fluir | Nº 20 | Ano 4 | Maio 1987 | Pág. 104)
3º Circuito Gaúcho de Verão: em Torres, a Consagração de Mancuso

O Circuito Renner é o principal acontecimento do calendário surfístico no verão. Com o patrocínio das Lojas Renner e Lee, organização da Federação Gaúcha de Surf e apoio das prefeituras das praias onde rolaram as três etapas (Atlântida, Tramandaí e Torres), o evento deste ano reuniu atletas de todo o Estado, do Cassino à Torres, provando que o surf gaúcho, assim como no resto do país, cresce a cada ano, a cada mês, a cada competição. O reflexo desta situação fica evidente no desempenho dos surfistas na água, melhorando de evento para evento.

Houve divisão com as seguintes categorias: bodyboard (masculino e feminino), mirim, master, amador e semi-profissional. Como não existe ainda a categoria profissional no Circuito, os prêmios restringiram-se a passagens aéreas, sendo o principal prêmio a passagem para o Hawaii que foi concedida ao campeão da categoria semi-pro. Antes de falar sobre a última e decisiva etapa de Torres, uma geral no que foram as duas primeiras etapas do Circuito.

1ª Etapa: Atlântida, de 9 a 11 de janeiro

A abertura do Circuito contou com um público razoável a bom para assistir as manobras dos melhores surfistas do estado. Cerca de 180 atletas correram nesta etapa, bastante prejudicada pelas más condições do mar na maior parte do tempo (bastante mexido, sem pico definido e com ondas sem força, a maioria com dois pés). As condições melhoraram bastante após a chuva da tarde de domingo, o que trouxe séries bem mais constantes para as finais, com ondas de três pés, fortes e extensas em ambos os lados do pier (o campeonato rolou no lado esquerdo). Aproveitando estas boas ondas, Giovanni Mancuso matou a categoria semi-pro ficando Roberto Wolf em segundo. Nas outras categorias os resultados foram: bodyboard masculino, José Roxo em primeiro e José Rodrigues em segundo; bodyboard feminino, Tanira Guimarães campeã e Márcia Barbosa vice; Sandro Neto e Nick Barcellos ficaram com as duas primeiras colocações na mirim; na master, Edu Coufal em primeiro e Alê Guerreiro em segundo e na amador, em disputa acirrada e de altíssimo nível, Eduardo Luz surfou mais e surpreendeu Arthur Johanpeter, sagrando-se campeão da categoria.

2ª Etapa: Tramandaí, de 30 de janeiro a 1 de fevereiro

Mar novamente ruim para a segunda etapa do Circuito, desta vez realizada ao lado do pier de Tramandaí. As ondas um pouco mais fortes do que as de Atlântida, mas bastante pequenas e sem pico definido. O melhor mar desta etapa pintou no domingo de manhã (novamente após uma chuva), mas no decorrer do dia não manteve as mesmas condições, prejudicando o desempenho dos competidores nas finais. O campeão semi-pro desta etapa foi Felipe Silveira, o Felipinho, recém chegado de bom resultado no OP Pro (9º lugar), com Roberto Wolf novamente na segunda posição. Marcos Bozovian e Marcelo Teruskin ficaram em primeiro e segundo no bodyboard masculino, enquanto Tanira Guimarães e Andréa Rocha foram campeã e vice no feminino. Na categoria mirim novamente deu Sandro Neto, ficando a segunda colocação para Rogério Duarte. Na master, Caio Barcellos e Edu Coufal foram os dois primeiros colocados e, na amador, o título máximo ficou para Rafael Cirne Lima, ficando Marcelo Maciel em segundo.

3ª Etapa: Torres, de 6 a 8 de fevereiro

A única etapa que não foi realizada ao lado de um pier, mas sim ao lado direito dos molhes de pedra que entram no mar acompanhando o rio Mampituba (limite natural entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina). O mar, entretanto, não estava diferente das duas primeiras etapas: Bastante mexido, com ondas gordas e sem força, poucas vezes apresentou condições para a realização de um campeonato. Azar, pois estava em jogo nesta etapa o título máximo: campeão do 3º Circuito Renner. Mesmo assim, foi a etapa que teve o maior número de participantes (aproximadamanente 230) e bom público torcendo na praia.

No bodyboard masculino José Toniolo, até então em terceiro no ranking, ganhou a etapa e também o Circuito, provando que a regularidade é fundamental quando se corre um campeonato dividido em etapas. No feminino, a campeã em Torres foi Patrícia Ritter, ficando Cândida Coelho em segundo, mas quem ficou com o título máximo foi Didi Menezes, terceira nesta etapa e finalista nas duas anteriores. Na categoria mirim, uma das maiores revelações do surf gaúcho, Sandro Neto, foi o campeão mais uma vez, o único atleta a vencer as três etapas do Circuito. Enquanto isso, na Master, Edu Coufal comprovou seu talento ao conquistar também esta última etapa e com ela o título de campeão no geral. Na amador, o grande destaque foi Marcelo Maciel, em segundo no geral antes da última etapa, que surfou demais em seu pico de origem e levantou a etapa e a passagem para o Peru reservada ao campeão do Circuito. Luciano Regert foi vice nesta etapa e ficou com a segunda colocação no geral.

Na categoria semi-pro, em disputa uma passagem para o Hawaii. Na batalha, três nomes com boas chances: Roberto Wolf (em primeiro), Felipe Silveira e Giovanni Mancuso (ambos dividindo a segunda colocação). Roberto caiu na semi final numa bateria com Frida e Giovanni, perdendo assim as chances de ser o campeão, pois seus dois rivais mais diretos garantiram vaga na bateria final. Giovanni e Felipinho fariam a briga pela passagem. Na hora da bateria cair n'água, desaba o maior desaba o maior toró. Sem visibilidade nenhuma e com poucas ondas, Giovanni consegue ser mais oportunista que o consistente Felipinho, escolhendo e trabalhando melhor as ondas.
No resultado, Giovanni campeão e Felipinho vice, dois surfista amadores do Imbé que se encontram em vertiginosa ascenção. Resultado justo, portanto.

Resultados:

Mirim
1º - Sandro Neto (300pts) - Passagem Recife
2º - Adrian Trias (227,61pts) - Passagem Rio

Master
1º - Edu Coufal (290pts) - Passagem Salvador
2º - Alê Guerreiro (252,90pts) - Prancha

Amador
1º - Marcelo Maciel (255,90pts) - Passagem Peru
2º - Luciano Regert (205,96pts) - Passagem Natal
3º - Paulo Buarque (189,67pts) - Passagem Recife
4º - Rafael Cirne Lima (184,48pts) - Passagem Salvador

Semi-pro
1º - Giovanni Mancuso (265,61pts) - Passagem Hawaii
2º - Felipe Silveira (255,61pts) - Passagem Califórnia
3º - Roberto Wolf (245,61pts) - Passagem México
4º - Ricardo Coufal (212,22pts) - Passagem Peru

BBoard Masculino
1º - José Toniolo (247,61pts) - Passagem Rio
2º - Marcos Bozovian (238,51pts) - Bodyboard

BBoard Feminino
1º - Didi Menezes (227,61pts) - Passagem Rio
2º - Andréa Rocha (221,22pts) - Bodyboard

Texto e fotos: Marcelo Ruschel

segunda-feira, 4 de abril de 2005

Surf x Pesca (em 1985)

(Jornal Zero Hora - Fevereiro de 1985)

Segue a matéria na íntegra, com seu texto original:

Surfistas continuam ignorando pescadores

A briga entre pescadores e surfistas da plataforma de Tramandaí tende a cair no vazio. Primeiro porque se prolonga há muitos anos, depois, porque os surfistas não estão nem aí com a grita dos pescadores. Continuam praticando seu esporte no local onde as ondas quebram com mais força.

Ontem, a turma de surfistas era grande. Todos riam da pretenção dos pescadores em delimitar uma área de cem metros em torno da plataforma somente para eles, apesar de reconhecerem o perigo que representa surfar junto às linhas e anzóis. Na verdade, afirmavam, dificilmente haverá uma interdição, até porque já existe uma determinação da Capitania dos Portos, proibindo a prática do surf até 200 metros da plataforma. Mas ninguém olha para a velha placa.

"Entendemos a preocupação dos pescadores, mas esta intenção deles é só para dar trabalho para a polícia. A gente pode entrar aqui e sair 100 metros adiante", diz Giovanni Mancuso, 21 anos, residente em Porto Alegre, há muitos anos surfista reconhecido. "podem proibir que não vai adiantar nada". A opinião de todos era uma só: nada de atritos, e sim espaços para todos no mar. "Dá para conviver perfeitamente, é só querer. O mar não tem dono..."