segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Ônibus da alegria!

Minhas lembranças mais remotas das férias , são aquelas ligadas aos longos veraneios na praia. Íamos com minha mãe em dezembro para o Imbé e só voltávamos para Porto Alegre em março. Lembro de detalhes pitorescos, coisas que não vemos mais, como os vendedores ambulantes de puxa-puxas, revistas e até de brinquedos.
A sorveteria ambulante, com certeza será uma destas lembranças para a Valentina. É uma diversão cada vez que o ônibus se aproxima de casa. Começa uma gritaria que só termina quando estamos, cada um de nós, adultos e crianças, com seu sorvetinho na mão.

Some a isto o potão de marshmellow e gemada que a tia Lica prepara para incrementarmos a lambuseira e o quadro está completo....
Pergunte a ela qual a melhor parte de ser criança!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Empastelando o paraíso

Macca's, à todo vapor!

Outro dia, aqui mesmo neste espaço, estava sonhando acordado, comentando sobre a viagem às Mentawai feita por um grupo de amigos. Terminava o texto afirmando que "Um dia vou lá. Pode crer. Minha hora vai chegar."

O problema é que meus sonhos de consumo vão se estragando antes que eu consiga chegar até eles...

Primeiro foi Uluwatu e Bali, em geral. E agora isto. Não que eu não goste de uma infra. Longe de mim. Mas algo me diz que por trás desta estrutura que estão montando, há um pouco de destruição.

Matéria prima

Por João Ubaldo Ribeiro

A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada. Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós. Nós como POVO. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA" é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as "EMPRESAS PRIVADAS" são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu "puxar" a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano.

Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas fazem "gatos" para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros. Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual Presidente, que recentemente falou que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica.

Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns.

Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser "comprados", sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem "molhei" a mão de um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro, apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como "Matéria Prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "ESPERTEZA BRASILEIRA" congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte... Me entristeço. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?

Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estanca-dos... igualmente sacaneados!!! É muito gostoso ser brasileiro.

Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas Possi-bilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda... Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias.

Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro... Somos nós os que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo: desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.

E você, o que pensa?.... MEDITE!!!...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Mr. Curren, as always!

Scott Aichner alinha com Tom Curren no Backdoor ontem
30/nov/2005, diz a legenda da foto do site Sickshots


Anda, vira e mexe e lá está o homem. Quietinho, na dele e chamando toda a atenção para si. Enquanto os holofotes do Pipe Masters não são ligados (e focados na direção da batalha final entre o careca e o bodoso), o North Shore se divide entre o "boring" campeonato especial das mulheres em Sunset (as brasileiras tomaram laço) e as performances meia boca do resto nos outros picos.

Será que este ano ele emplaca as capas outra vez?

terça-feira, 29 de novembro de 2005

1 já foi!

Nunca houve tantos motivos para acompanharmos a Triple Crown e o principal deles é que existia um grande número de brasileiros com chance de conseguir uma vaga para o WCT.
É claro que restando apenas uma etapa do WQS, em Sunset, as chances de quem ainda não havia se garantido, estavam bem reduzidas, principalmente se levássemos em consideração que não bastava a esta turma uma classificação intermediária. Alguns deles precisavam inclusive chegar à final.

Mas não deu. Apenas o raçudo, porém durinho, Yuri Sodré chegou às oitavas de final - que deve ser transmitida ao vivo na internê, hoje à tardinha. Mas Yuri tinha gordura sobrando. Já estava garantido no WCT 2006.

Cartaz da segunda etapa da Trile Crown 2005

Mas sem dúvida, deixando o patriotismo de lado, o motivo mais forte para que não tiremos o olho do computador (e da TV) será o Pipe Masters.
Neste anos muitas coisas estarão em jogo. Arrisco dizer que a disputa entre o bodoso e o careca vai ser mais acirrada do que aquela em que o bodoso ganhou aos 45 do segundo tempo.
O careca está provando ao mundo que é o melhor dos melhores. Pipeline é um lugar onde normalmente ele se sobressai. Por outro lado, o bodoso está com esta estória de "melhor dos melhores" engasgada. E ele também é um monstro nos buracos de Pipe.
Mal posso esperar!

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

Palavra de coelho

Foto: Nicholai Lidow

Cadastrei-me no "Monday Morning Wave" da revista inglêsa Surfer´s Path, já faz um tempinho. Isto garante que todas as segundas-feiras, chega ao meu e-mail uma mensagem contendo algumas pérolas, entre elas uma foto e um pequeno texto. Algumas destas mensagens são memoráveis, com a foto e o texto conseguindo mexer comigo.

Foi o caso hoje: A foto é da Libéria e, sua legenda, fantástica: "A Libéria tem um novo governo e pela primeira vez em 25 anos, não há guerra por lá. Comida para o povo! E renovem as propriedades a beira-mar como esta!"

O texto desta segunda-feira é uma estorinha contada pelo surfista, jornalista e historiador do surfe, Matt Warshaw (mantenho na sua forma original, em inglês):
"I was interviewing Rabbit in an SFO terminal in 1993 when he spread his arms as he could and said something like "This is how long mankind's been around." Then squinted and pointed his index finger at the right edge of his imaginary timeline, "And I'm born here, and I get to grow up at Kirra, and surf around the world, and just live this life...." He was grinning now, high-voiced, almost wild-eyed. "Can you believe how lucky that is? Is that the luckiest thing you've ever heard of?" Rabbit was about 40 then. He's still that stoked. I think about that sometimes when I'm feeling a little cynical or burned-out."

A expressão "he´s still that stoked" mexeu comigo. Na verdade me identifico com este sentimento. Acredito, inclusive, que vou ter este sentimento para com o surfe, para sempre, pois sinto-me a cada ano, mais fissurado...

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

Fora de época



Diariamente visito uma lista de sites. No Sickshots, sempre há uma foto de babar, na capa. Pudera, o fotógrafo responsável pelo endereço passa o ano em Bali, exceto durante dezembro e janeiro, quando ele se transfere, de mala e cuia para o north shore, até porquê, neste período reza a lenda que Bali e adjacências não estarão quebrando.

Pura lenda. A foto acima mostra Mentawai quebrando perfeita em pleno final de novembro. Imagine que maravilha ter aquele montão de ilhas, lotadas de ondas perfeitas, só para você...

domingo, 23 de outubro de 2005

Desculpa esfarrapada

Pedro Henrique, vencedor do Reef Classic e novo integrante do WCT 2006
Foto: Ivan Storti / Reef Classic

Há um contador ali em baixo que me mostra que ainda existem uns 50 - 60 insistentes que todas as semanas, sem falta, fazem uma visitinha a esta página. E é justamente esta turma que tem me deixado constrangido e até um pouco estressado.
Quando iniciei este blog, tinha muitos textos antigos guardados e além disso, o próprio fato de montar esta página já mostra que eu andava com tempo sobrando. É um hobbie interessante. Gosto de escrever, mas sem compromisso.

Mas tudo mudou. Ando completamente sem tempo e o "sem compromisso", agora ficou difícil.

Ocorre que por conta de 60 visitantes semanais, comecei a sentir que tinha uma espécie de compromisso. De repente me vi dando explicações a mim mesmo (já que não podia dar a vocês) do porque não havia conseguido atualizar o blog e tal. E entra segunda-feira e passa a semana e chega o final de semana e nada de eu arranjar um tempinho para escrever umas míseras linhas.

E tome olhar o contador e comprovar que os 60 fiéis leitores estão ali, na espera, como se estivessem todos de braços cruzados e me olhando com cara de impacientes, prontos para perguntarem, "como é que é, Giovanni, é para hoje ou para amanhã"?

Sei que o que estou escrevendo não é aquilo que vocês esperam encontrar aqui. Mas sei lá, penso que devia esta explicação. É isto. Quem me paga, tem tirado meu couro e deixado pouco tempo para eu dedicar às minhas coisas. Mas isto não deve continuar para sempre, prometo.

De qualquer maneira, é muito engraçado, porque à medida em que os dias vão passando e vou sendo torpedeado por notícias, coisas novas que vejo ou leio, vou formulando textos na minha cabeça, "posts mentais". Só está faltando tempo para passa-los para o computador.

Só para não ficar apenas na desculpa esfarrapada, fecho este post, dividindo com o leitor uma notícia muito agradável que tive hoje: a de que Pedro Henrique já está garantido, ao lado de Adriano "Mineirinho" no WCT de 2006. Dois surfistas da nova geração.

Pedro Henrique, ganhando o campeonato e a vaga no WCT
Foto: Ivan Storti / Reef Classic

Com qualidade de surfe acima de qualquer suspeita. É a renovação do time brasileiro no WCT da qual tanto sentimos falta nos últimos anos. Ainda estão faltando alguns nesta lista, mas aos poucos todos eles devem chegar lá. E não esqueçam que vão abrir várias vagas no WCT do ano que vem, pois muitos tops estão se aposentando. Já pensou? Eu sonho com o dia em que teremos mais da metade daquelas 45 vagas sob nosso controle...

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

A chama apagou

O responsável pela edição de fotografia da revista Surfing, Larry Flame, morreu hoje, vítima de câncer no cérebro.
Contra todas as estatísticas e previsões dos médicos, que lhe davam no máximo 18 meses de vida, Tio Larry segurou a onda por um bom tempo, indo diariamente ao escritório da revista.
Leia mais no site da Surfing.

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Figuras ilustres

É bacana verificar que cada vez mais a nossa turma se espalha entre as "pessoas comuns". Clica aqui e confira a entrevista com o jogador Jud Buechler, da NBA, no site Sickshots.
Entre outras coisas, ele conta que vai anualmente à Tavarua com a equipe da Rusty e que surfa quase que diariamente em Del Mar, na Califórnia, onde reside.
Se fosse aqui, provavelmente leríamos que nas horas vagas o sujeito gosta de uma roda de pagode acompanhada de uma cervejinha...