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quarta-feira, 20 de junho de 2007

Os "para-quedistas" do surfe

(Jornal Extremo Sul)

Para-quedistas do surfe são aquelas pessoas que aparecem de tempos em tempos no nosso meio sem que saibamos de onde surgiram. Eles aparecem se auto-intitulando "profissionais" ligados a alguma área e quando menos esperamos, e sem que consigamos entender o porque, são alçados à categoria de personalidades.

Como Porto Alegre é uma cidade que vive o surfe, ela produz "surfistas que não surfam". Não há praia na cidade, portanto ninguém precisa provar que surfa para apresentar-se como surfista nesta cidade que concentra a maior parte dos surfistas gaúchos. Mas fora de Porto Alegre este fenômeno também acontece, só que por uma outra razão: como não valorizam nossa história os surfistas locais não sabem diferenciar o surfista de verdade do surfista "fake". Assim, fica fácil entender que o Rio Grande do Sul é a terra ideal para o surgimento dos para-quedistas do surfe.

Antes que o leitor me entenda errado, preciso explicar que ser classificado como um para-quedista do surf nem sempre é uma coisa ruim. A história tem mostrado que os para-quedistas do surfe gaúcho foram aqueles que conseguiram os maiores espaços que a mídia local já destinou ao nosso querido esporte. Também foram alguns pertencentes a este grupo que acabaram tornando-se grandes empresários apoiando a cena local. O complicado para eles é saber separar suas conquistas, de maneira que elas tornem-se uma coisa positiva para o esporte e não para os seus umbigos.

A principal característica dos para-quedistas do surf é que eles não sabem dividir suas conquistas. À medida em que vão ganhando espaço, vão ocupando-os eles mesmos. Sentem uma necessidade quase doentia de estar sob os holofotes. Não consideram jamais a possibilidade de agir na surdina, buscando resultados a longo prazo. Querem tudo para ontem e, normalmente, metem os pés pelas mãos o tempo todo.

Os para-quedistas do surfe são totalmente multimídia, no real sentido da palavra. Enquanto lhes derem espaço eles vão indo. Eles são surfistas competidores, árbitros de surf, organizadores de eventos, chefes (e técnicos) de equipe de surfe, repórteres, jornalistas, editores, apresentadores, entrevistadores, entrevistados, fotógrafos, desenvolvedores de sites, pesquisadores, donos de sites, marketeiros, etc, etc, etc. Tudo ao mesmo tempo!

Agora me diga: como isto é possível?

Como ser competidor e árbitro ao mesmo tempo? Como ser repórter e editor ao mesmo tempo? Como ser apresentador e técnico de uma equipe de surfe ao mesmo tempo? Como ser dono de um site e ser responsável por uma pesquisa que vai indicar o melhor site e manter-se neutro? Como ser fotógrafo e ter todas atribuições acima ao mesmo tempo?

A resposta é simples: não se preocupe em fazer bem feito. Faça do jeito que der porque ninguém vai reclamar. E o pior: vão gostar e lhe dizer que você é profissional. Você vai virar celebridade.

E assim tem sido na história do surfe gaúcho. De tempos em tempos surgem novos paraquedistas do surfe. Hoje estamos cercados por eles. Eles apresentam programas de rádio, redigem textos, colunas, competem, enfim, toda aquela lista que fiz acima.

Sinceramente eu não sei dizer se eles fazem algum mal para o esporte, porque na mesma medida em que me dão vergonha aqui e ali, também são responsáveis por conquistas importantes para nós.

O problema é quando eles começam a querer nos enfrentar. É uma briga de David e Golias. É tão desproporcional que chega a ser sem graça. Como se uma mosca quisesse nos desafiar.

Eles não podem querer se comparar a nós, surfistas de verdade e que temos uma vida de envolvimento com o esporte. Precisa ficar claro para eles, que conquistas momentâneas não significam nada até que eles tenham uma história de envolvimento. Mas até lá, eles devem ter respeito por aqueles que já estão há bem mais tempo ralando.

É a diferença entre quem já provou e quem ainda precisa provar. Sem choro.

Ops! Errei!

Na minha última coluna, entitulada "Ditadura no Surfe Gaúcho" omiti um detalhe importante no parágrafo onde se lê: "na foto, você me vê cercado pela cúpula da FGS no coquetel de lançamento do Circuito Trópico Supertrials, válido para o ranking brasileiro, organizado pela Office Marketing."
Mesmo confiando que a maioria dos leitores entenderia tratar-se de um evento acontecido há alguns anos, faltou deixar claro que alguns componentes da fotografia não fazem parte, hoje, da cúpula da FGS. Sendo assim, peço desculpas a eles por qualquer desconforto ou constrangimento que este erro possa ter causado.