domingo, 25 de maio de 2008

Inversão de valores no surf gaúcho - Parte II

Na foto, Virgílio ao lado da atual governadora do estado, Yeda Crusius,
Rodrigo "Pedra" Dornelles e o deputado estadual Sandro Boca.
Foto: Arq. pessoal do Virgílio


Virgílio Matos foi presidente da FGS naquele que foi considerado senão o melhor, um dos mais promissores períodos do surfe gaúcho. Época de Circuito Renner, de etapas do Circuito ABRASP, de circuitos de Associações com dezenas de etapas (cada) e sem dúvida, época responsável por gerar uma leva de gente importante para o surfe gaúcho, brasileiro e mundial - para terem uma idéia, o então head judge do Circuito Renner, era Renato Hickel, atual Tour Manager da ASP.

Com a palavra, Virgílio:


"Prezado Ki Fornari,


Li teu texto e gostaria de, se me permites, fazer algumas considerações e reflexões sobre o futuro do surf gaúcho.


A tua frase bem colocada "o surf gaúcho sempre enterrou sua história", eu complemento dizendo "Sem passado e história, não existe futuro", seja em qualquer cultura de uma comunidade, sociedade ou país na civilização ocidental e oriental.


Há quase 2 anos, iniciamos um debate trazido pela Fundação Conesul, sobre "Os caminhos do surf no RS", com a pergunta "Qual o futuro?".


Na primeira reunião, foram todos os principais lojistas de surfwear e surfshops, representantes de algumas marcas internacionais e nacionais, empresários das oficinas e fábricas de prancha juntamente o Orlando, atual presidente da FGS.


Pois bem, abriu-se o debate, alguns exaltados falaram com "grande conhecimento" de história (10 anos no máximo). Pedi a palavra e apresentei uma retrospectiva de 35 anos no nosso segmento, enumerando vários problemas em toda a cadeia produtiva.


Falando da Fundação da FGS e S, com a obra do Parque Marinha planejada pela entidade "a pista de skate", a maior do Brasil até hoje, passados 30 anos...


Se existisse continuidade naqueles debates com a participação de todos os envolvidos, teríamos união e, por fim, uma liderança chamada FGS. Mas a segunda convocação, por falta de visão dos envolvidos no segmento, foi um fracasso total e ninguém foi! O imediatismo continua imperando...

Enumerei, o seguinte:


1) Nunca tivemos sede (de fato e de direito) e sim uma sala fria e sem conforto e logística, sem condições de receber um empresário, lojista, político, atletas, reuniões etc.
Os envolvidos com o segmento, sempre lucraram com a venda de produtos e imagem e nunca pagaram um centavo para a entidade fomentar o esporte, buscando um desenvolvimento e tornando-o auto-sustentável, seja com Impostos, taxas, contribuições, doações etc.

2) A FGS poderia, em seu estatuto, regularizar e criar Leis como "ECAD" de direitos autorais/músicas...


As Competições/Eventos, sempre foram 95% de patrocínio de Lojas de surfwear e surf acessórios, que sempre tiveram um ciclo curto de vida de cerca de 5 anos ou 10 anos no máximo. - Foi assim, nos anos 70, com a South Shore e Skate World. - Anos 80, com a Summer Dreams, Da Terra, Paradise, Raizes, Vela e Surf, no final da década a Surf Sul e, por fim, a Trópico nos anos 90. Agora a bola a "bola da vez" é a Planeta Surf.

Sempre buscamos estas "minguadas" cotas de patrô de empresas "não sólidas", que dependiam e dependem da venda do caixa diário, ou seja, pequeno varejo...monta e desmonta palanque...

Quando tivermos a visão e empenho de todos para buscar uma Indústria de fora de nosso segmento, com resultados práticos de mídia, no meio de 4 milhões de jovens gaúchos (dos 15 aos 26 anos) conforme IBGE, seremos a maior e melhor equipe de talentos do esporte da prancha, no Brasil.


Lembro que o nosso ícone da prancha, surgiu na Categoria Mirim (Rodrigo Pedra Dornelles), no Circuito Gaúcho, com 4 edições e que tinha patrocínio do Grupo Renner.


Planejamento de metas com visão de futuro, de todas empresas ligadas ao esporte, apostando na FGS, aí sim acredito em novos Rodrigos, Daisons, etc.
Pois temos no "pátio de casa", a maior empresa do mundo - GM - e as "pratas da casa": Tramontina, Vontobel, Marcopolo, Randon, Gerdau, RBS, etc, etc., fora a Dell e as de telecomunicações, Vivo, Claro, Tim e agora o Grupo Record...

Saudações,
Virgilio"

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Inversão de valores no surf gaúcho

Guardei esta foto faz tempo. E agora não sei a quem devo o crédito.
A foto foi surrupiada (no bom sentido) da Drift. Valeu Dario!

Há algum tempo eu venho tendo dificuldade para atualizar o Tracks. Não é falta de vontade, muito antes pelo contrário, é falta de tempo mesmo. De qualquer maneira, volta e meia, quando encontro algum asssunto interessante, eu dou um jeito de publicar.

Outro dia troquei uns e-mails com o Ki Fornari, grande figura do surfe gaúcho, e convidei-o a colaborar aqui. Bem, o que segue espero que seja o primeiro de muitos textos. Seja bem-vindo, Ki!

"Há muito tempo venho matutando sobre o convite do Giovanni em colaborar com o blog mais conferido pela galera de Tramandaí e quem sabe, pela grande parte da velha-guarda do surf. Depois de uma pausa nas críticas públicas, resolvi apimentar um pouco este blog, e se o Giovanni permitir, compartilhar alguns pensamentos.

Os sites “especializados” em surf, no Rio Grande do Sul, vem na medida do possível abrindo espaço para os atletas gaúchos se manifestarem sobre as competições e fatos corriqueiros do esporte, enaltecendo principalmente o fator local. Algumas matérias permitem a postagem de comentários, e em meio a ofensas pessoais de alguns internautas, verdadeiros absurdos que passam pelos “filtros” moderadores dos sites, uma pergunta feita pelos “comentaristas” vem aparecendo com freqüência, associando a performance dos atletas do estado em competições interestaduais e nacionais: “O que está acontecendo com o surf gaúcho?”

O surf gaúcho sempre enterrou sua história, e me preocupa essa impressão de que o surf dos pampas começou com o Pedra chegando ao WCT, lá nos idos de 2001 e 2002, e que agora estamos em plena decadência, na pior fase da história.

A história do surf gaúcho é interessante, e volta e meia vasculho arquivos da Associação dos Surfistas de Capão da Canoa (ASCC), deixados por um ex-dirigente da FGS, que inclusive foi execrado no meio do surf, por atitudes que não cabem aqui serem discutidas, mas que apesar disso, deixou um brilhante trabalho de registro da história das competições no estado. Desde o início, em 1985, até o rescaldo de sua gestão, em meados de 2000.

Por tudo o que acompanhei “ao vivo”, ou nos “registros públicos”, posso afirmar que no quesito representatividade dos atletas, nunca estivemos melhor. Temos o Pedra como melhor brasileiro no circuito mundial (2007), temos 2 atletas no Super Surf, inclusive com vitórias em etapas e presença entre os 10 melhores do Brasil (leia-se Daison Pereira). E temos na rabeira destas realizações muitos atletas tentando carreira como surfista profissional, disputando certames regionais e nacionais em diversos estados brasileiros. Posso citar: Robson Gobbato, Vini Fornari, Renan Borba, Stéfano Dornelles, Iuri Silva, e outros. Além é claro de um surfista que vem se destacando pelo “go for it”, Pedro “Manga” Aguiar, cuja coragem já estampou até página da revista Fluir.

A década de 1990 foi marcada pela abundância competitiva no estado, onde desfilaram em ondas gaúchas, surfistas de renome no cenário nacional e mundial, como bem lembro e cito como exemplo, o WQS de 97, em Capão da Canoa. O Circuito Gaúcho também era forte, com etapas em várias praias, além de um provável e respeitável calendário, algo apenas ilusório nos dias de hoje. Poucos atletas optaram pelo profissionalismo, em uma época em que o estado dava oportunidade de intercâmbio e troca de experiencias, e a mídia, valorizava como nunca atletas amadores e profissionais. O Pedra foi único, teve visão, aproveitou as oportunidades, foi centrado e competente, e colhe os frutos até hoje.

Sem base local, apoio estatal, e à mercê de uma instituição que faz lobby político, a fim de receber migalhas, quais seriam as chances de um atleta gaúcho despontar como surfista profissional hoje em dia? Todos os atuais “local heros”gaúchos fazem por si, assim como o Pedra fez na década de 1990. A pergunta inicial dos internautas é pertinente, mas o que será de nós após a aposentadoria de nosso maior herói, o que acontecerá ao surf gaúcho?

Por fim, mais uma vez entristeci-me ao ver o site da FGSurf informando sua mobilização ao Pró-orla do Guaíba. “Eles” devem estar pensando: “O litoral gaúcho é maravilhoso, revitalizado, e sem redes de pesca. Agora vamos ajudar a melhorar o Guaíba”.

Sabem quantas linhas sobre o alerta de redes de pesca perambulando pelo litoral gaúcho após o ciclone estampam o site oficial do surf gaúcho? Adivinhem!

Aloha!
Ki Fornari"

domingo, 11 de maio de 2008