quarta-feira, 9 de maio de 2018

Surf Sintético


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WSL/Cloro - FCS2 
O Surf é imprevisível e não podemos controlar o ambiente natural que cercam as ondas. Podemos sim nos adaptar, nós temos pelo menos 3 sites de previsão de Surf que nos ajudam e muito aumentando o nosso grau de acerto para os melhores dias. Nestes casos viajamos algumas horas, esperamos o dia certo, dor de barriga na noite anterior que precede um dia de boa ondas, acordar cedo, chimarrão no ponto e festa. Todo este ritual na minha praia amada ocorre poucos dias durante uma semana, então o gosto pelo momento se torna maior. Toda esta vivência não tem como ser mensurada. simplesmente não tem, desculpem aos outros esportes, mas somos arrogantes e prepotentes por natureza.
                    
Não coloquem a piscina como uma opção de "Surf", o Surf é feito e praticado no mar, com interferência da mandatária maior, a Natureza. Temperatura do ar, direção dos ventos e ondulação, localização das tempestades, são apenas alguns dos elementos que nos movem como uma tribo.
Fiquei me perguntado durante os 2 dias do evento o que seria mais divertido: colocar todos atletas num avião partindo para Fiji, México, Chile ou Africa para assistirmos pela internet, (sim internet, somos percursores neste assunto) os camaradas surfarem de verdade ou nos submetermos ao controle de tempo e horário impostos pela TV Aberta, para nos transformarem no que nós não somos.

Podemos ficar discutindo durante anos o que esta por vir no quesito: Surf Sintético. Algumas sugestões de pautas:
- Qual será a sua influência nos próximos anos? Olimpíadas: nunca precisamos dela para existirmos ou vivermos. A não ser que tu queira controlar o ambiente e ganhar dinheiro. Olimpíadas de inverno existem para os esportes de inverno. O Surf também tem a sua melhor estação no calendário. No caso do Japão como país sede em 2020 e os próximos jogos, qual será a escolha: O Japão que tem centenas de ondas boas ou Piscina? Hossegor ou Piscina? Trestles e Pipe ou Piscina? Esta discussão não esta na nossa alçada, só podemos discutir nas rodas de chimarrão. O meu pensamento e objetivo seriam levar a experiência do surf para lugares sem onda, assim, propagaremos o nosso estilo de vida.

- Campeonatos válidos pelo circuito serão tão divertidos assim? No formato deste evento, sinceramente, achei muito monótono se nos basearmos pelo primeiro round. A pior parte foi o intervalo entre as ondas que a WSL não soube nos entreter, foram muito fracos e repetitivos. Se superaram, pois tinham as principais figuras da industria e não souberam vender o peixe...

- Julgamento? poderiam ter sido mais audaciosos já que era um evento teste e colocado 5 ex surfistas profissionais num painel paralelo, perderam a chance de aprender de como um surfista profissional analisaria, principalmente as ondas do General Gabriel de como se entuba de backside em mini tubos, poderiam ter dado nota 12 pelas últimas ondas. Mas não, prefiram o Jordy e Kanoa alisando toda a extensão da onda ( cerca de 700 metros) para um aéreo medíocre no final. Coisa que o Toledo fazia no início da onda. Fora a última onda do Kelly que foi a melhor que eu vi dele nos últimos anos em competição e os caras não abriram a nota. O 2JJF apareceu???

- Teremos mudança nas manobras? Não vi nada de novo, ao contrário, repetiram mil vezes as rasgadinhas de fundo de prancha numa onda sem força na base. O Bourez na sua primeira onda para esquerda foi o primeiro a bater reto. O Mineiro não soube surfar para a direita. Alguém surfou de base trocada?

- Pranchas e equipamentos: As partes mais importantes do evento, tão valiosos e pouco relacionadas as performances amadoras que vimos neste primeiro evento. Observei que poucos atletas foram audaciosos e saíram da zona de conforto buscando algo a mais, alguns escolhiam pranchas diferentes para cada tipo de onda, posições de quilhas alternadas, mas em si poucas alterações, inclusive na primeira onda do domingo nós vimos o Tom Curren cair da prancha do Kelly, eu acho que nunca tinha visto o Curren cair de alguma prancha, mas era da marca do Kelly, era melhor ele ter surfado de sonrrizal.....
               
Quanto a Copa que nós vimos, reparamos que todos os convidados se divertiram e beberam, e muito (como em qualquer evento), todos acharam pequenas variações nas ondas, na maioria das vezes a esquerda gorda era maior que a direita tubular. Porque um jetsky gastando gasolina se poderia ter um teleférico? Se me perguntarem: Este é o futuro do Surf competição? Responderei que neste formato acho impossível, não quero voltar aos anos 80.
Quero G-Land e Fiji!!!! Prefiro a imperfeição que é perfeita.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

WCT 3/18 - Margaret River

Postura séria quando o assunto é: SURF

WSL - FCS2 - Se compararmos o round 1 de Bell´s, que teve somatório dos vencedores das 12 baterias de 150,34 pontos, contra os 114,74 de Margaret River, chegamos a conclusão básica de que mais uma chamada/call foi errada. A desculpa de que ninguém perde no round 1 está se tornando um escudo para os erros de chamadas. Não posso crer que com tantas informações relacionadas a previsões, os camaradas fizeram o absurdo de dividir o primeiro round em 2 dias. Quando o oceano terá condições iguais de pressão e vento em 2 dias diferentes? Até os pensamentos e estratégias devem ser mudados. Nosso esporte não é igual ao tênis, que a quadra fica parada/estática e a rede não muda de lugar. 


Quanto ao round 1, o Ian teria passado 70% das baterias com a sua média. Quem trocaria o Gudauskas pelo Jack Robinson no circuito? Eu trocaria fácil ...mas como as arenas são diferentes/nível no WQS para o WCT, este guri vai penar para entrar na elite, pois ou ele desaprende a surfar, ou será um eterno freesurfer. O 7.33 do Gabriel foi menosprezado pelos juízes que deram a mesma nota pro Julian em outra bateria, numa onda de tubo que a prancha ficou aparecendo quase todo o tempo e teve uma pequena e rápida placa no final, inclusive nesta bateria, se o Jesse conseguisse finalizar as suas ondas, ele teria passad. Yago sumido!!! Alguém avisa ele que não precisa entubar se não tiver tubo, pode mudar a estratégia. 

Já no round 2, Ítalo x Pupo foi a bateria do evento em termos de disputa e diferenças de estilo, linhas curtas x linhas longas, lindo de ver ( eu amo o Bourez nestas condições!!!) Yago x Colapinto, não estamos acostumados a ver estes 2 com pranchas grandes, os 2 surfaram com paciência, manobras longas e sólidas. Rodrigues consegue fazer um estrago violento mesmo em ondas pequenas, o cara eleva o limite.


Acertado o primeiro cancelamento de prova em função da atividade dos moradores e locais do oceano, ou seja, os Tubarões, que estão no seu habitat natural, nós somos invasores ou convidados? Alguém sabia que esta é a época do ano que chamam a "Estação do Salmão", eu nem imaginava. O Jay Davies surfista profissional da região que tocou no assunto, eles (surfistas locais) deixaram claro que não entendem a data da janela do evento (falando em calendário/logística: porque o circuito que esta no Oceano Índico vem para o Brasil e depois volta para Bali?). 

Neste momento me lembrei da entrevista do MF falando que nunca mais voltaria para Margaret, então porque existe a etapa? $$ do Governo Australiano? Pode ser... Nesta hora o meu herói se mostrou gigante! Enquanto os outros capitães se mostraram sargentos, Medina foi ao ar, lançou um post questionando a segurança na área do evento, tanto na competição como nos treinos, foi de uma atitude digna de quem não tem medo da política, "Ídalo" se lançou em seguida, motivado pelas palavras do campeão. "Precisamos cuidar da vida dos atletas". Sábia decisão da WSL em cancelar o evento, ordem superior do Sr. Dirk Ziff. 

Se o Gabriel e o Ítalo forem punidos pelos seus chamados, o que deveria ter sido feito na década de 80 e 90, quando os atletas não competiam/boicotavam as etapas da Africa do Sul em virtude do Apartheid? O mundo surfístico está preocupado com a liderança esportiva e política dos brasileiros! Com as saídas do Slater e MF, a preocupação está grande. Agora, se os camaradas querem emoção, a Etapa mais violenta do tour, com roubo, assalto, bala perdida e exército na rua só está á um mês de acontecer.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Apple Park (ou disco voador da Apple)


Aprecie um dos últimos sobrevoos (mesmo) feitos por um drone sobre o Apple Park

Depois de algum tempo, na verdade alguns anos, finalmente está pronta a nova sede da Apple. E como não poderia deixar de ser, é algo que beira o surreal. Do ponto de vista arquitetônico e do ponto de vista de quem não entende nada de arquitetura, mas aprecia as coisas bacanas. Dá uma olhada neste guia para entender um pouco melhor a coisa.

Obviamente tem o dedo de Steve Jobs ali. Os detalhes que envolvem esta obra seguem o mesmo estilo dos eletrônicos desenvolvidos pela Apple: é bonito por fora e muito mais bonito por dentro. As partes que não são vistas são tão bem projetadas quanto aquela que todo mundo pode ver.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

WCT 2018 - Bell´s

Ítalo Ferreira matou dois coelhos: debutou no lugar mais alto do pódio 
e entrou para a história ao carimbar a aposentadoria de Mick Fanning.

WSL - Bully´s - Ítalo Supremo, os fundamentos do Surf são: Tubos e curvas, Bell´s é feita para ser surfada em curvas longas ou curtas, tanto na vertical quanto em ângulos mais abertos. Como não gostar deste tipo de surf em ondas de 4 - 7 pés? O SR. MF, camarada mais elegante e clássico do tour deixará saudades, mas deixou uma escola e legado de como atacar a onda sem diminuir o pé no acelerador, e ainda mostrando sabedoria na paciência de manobrar na hora certa. 

Quanto ao campeonato, revendo a primeira bateria do evento achei que o Filipe levou em cima no Colapinto, por pouco mas levou, Wright mostrou o caminho de como se surfar de backside, Jordy precisa parar de pedir nota, GM assim como Ítalo demostraram que o importante é descer a onda, nem que seja de jacaré em ondas de 8´ (eu teria morrido afogado e quebrado o pescoço) os caras conseguem imprimir velocidade sabe Deus como, mantendo o estilo e fluidez, estão acima da média. Thomas fez uma das melhores manobras do evento junto com a patada de backside do Ídalo numa junção de 2metros. Se comparem as ondas em bateria diferentes o Bourez teria um somatório muito maior que o do 2JF, ele que deve estar apavorado com a atitude do Ezekiel, falta de educação do sangue puro havaiano, mas não infringiu nenhuma lei. 

Round 2 o Filipe me deixou com dor de barriga, poderia ter surfado de base trocada que teria passado a bateria de uma maneira mais fácil. Mineiro precisa de prancha e quilhas com outros conceitos, tanto de torção como flexibilidade. No round 3 ainda algumas observações: Jesse precisa aprender com a sua namorada como surfar mais rápido e vertical. Bourez batendo e rasgando com força, se mostrava como a quinta força do evento, MF dando show. Irei criar uma nova regra: Ítalo e Toledo só podem se encontrar na semi ou final de qualquer competição. Fizeram a melhor bateria do evento! E assim nós fomos até a semi entre os 2 melhores surfistas do evento. A bateria foi surfada de forma limpa e bem julgada. Ítalo mereceu e GM vai com tudo para o Oeste Australiano. A final parecia final de novela, tu sabe o que irá acontecer, até os sagrados cliffs de Bell´s sabiam, mas não, os juízes trabalharam da melhor maneira possível e o melhor venceu. Badaladas do Sino, choro e grito foi que mais se escutou neste dia histórico para o Brasil. Ítalo é daqueles camaradas que todo mundo torce a favor, parabéns ao seu shaper e time.

Quanto a tal palavra "escala", ela me lembra a palavra "volume", muito usada e de pouca utilidade. Pottz deve pensar: nos anos 80 e início nos 90 as baterias se resumiam em 5 manobrinhas para ganhar as baterias ao invés de uma manobra forte, coisa que ele pregava. Agora os juízes estavam confundindo a nossa cabeça nas primeiras baterias, era uma confusão de notas! vamos apagar a inovação, power e risco para darmos abertura para um surf conservador? Espero ver o melhor do Surf em competições e não em filminhos ou clips resumidos de 5 minutos após 15 dias na Indonésia...Aviso aos navegantes que os corretores ortográficos Cristina e Felipe estavam ausentes na hora da escrita.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Sangue novo no Tracks

Renatinho rasgando uma esquerda no Backdoor de Tramandaí. 
Sim, ele está de touca, luvas, botas e longjohn. É surfista de verdade!

Continuando com a idéia de que vale a pena manter o Tracks no ar para a meia dúzia de insistentes leitores que ainda vem até aqui, pensei que seria uma boa idéia pedir ajuda para alguns amigos que tem jeito com a caneta. Ou, com o teclado.

Já há algum tempo que depois de cada etapa da WSL o Renato Sachs faz um texto com uma análise, lá no Facebook dele. Quando li o primeiro, confesso que fiquei muito surpreso com a (boa) qualidade da redação e gostei muito do que ele escreveu. Achei tão bom que cheguei a pensar que ele havia feito um descarado Ctrl C/Ctrl V de algum veículo. Mas não, trata-se de um talento desconhecido.

Mas se depender do Tracks, não mais. A partir de agora o ele vai passar a colaborar aqui.

Seja bem-vindo, Renatinho! E não esquece o ensinamento que recebi do mestre Júlio: "passarinho que come vidro sabe o c* que tem!". :))

quarta-feira, 21 de março de 2018

Professor Jader


Comecei a surfar no verão de 1975. Naquela época a gente aprendia a surfar em pranchas de isopor, na espuminha da beira. Era fácil. E só íamos encarar as ondas lá na primeira arrebentação, quando já tínhamos um bom controle do básico do surfe: remar e subir na prancha.

A remada para pegar a onda e o movimento de subir na prancha com a onda em movimento, talvez seja uma das coisas mais difíceis de se fazer. Não basta força e equilíbrio. São necessários movimentos coordenados, capacidade de explosão muscular e muita, mas muita sincronia de movimentos. E tudo isso sem pensar, só no instinto, pois você sabe né, uma onda jamais é igual à outra.

Ao longos dos 43 anos em que tenho praticado este esporte fantástico, já vi e vivi muita coisa. E ele também me proporcionou coisas e experiências que vão marcar a minha vida eternamente. Fiz amigos de uma vida, viajei pelo país e pelo mundo, venci competições, ganhei algum dinheiro como competidor e, finalmente, a coisa mais importante que o surfe me deu: me fez conhecer a mulher da minha vida, que me deu a segunda mulher da minha vida, a Valentina.

Mas diferente de um esporte convencional, o surfe se entranha na vida dos seus praticantes de tal maneira que vira um estilo de vida. Uma vez surfista, a pessoa muda. Passa a pertencer a um grupo distinto, que quando olha para o mar, vê muito mais do que quem não surfa.

Mas e o professor Jader pergunta o leitor. Já chego lá.

No segundo verão depois que minha filha aprendeu a caminhar, eu achei que era hora de proporcionar para ela a sensação de correr uma onda. Deitada na prancha mesmo, sem a pretensão de subir, pois ela ainda era muito pequena. Funcionava assim: ela deitava na prancha, ali a poucos metros da areia e eu empurrava ela naquela última ondinha da beira, com as quilhas quase arrastando na areia. Para garantir a segurança dela, eu acompanhava ao lado da prancha. Mesmo assim, um dia em descuidei e a prancha virou. Ela mergulhou, engoliu um pouco de água e traumatizou. Levou outros dois verões para ter coragem de entrar no mar novamente. O trauma passou. Mas a vontade de surfar nunca apareceu, pelo menos não com a intensidade que faria dela uma surfista.

Já, já chego no Jader.

O que eu poderia ter feito de diferente? A profundidade era segura para ela, a velocidade da prancha na onda era muito pequena e eu estava ao lado dela. O problema foi que ela mergulhou e não tentou levantar (a água batia na coxa dela). Se apavorou e engoliu água.

Cheguei no Jader!


O que faltou para mim naquele dia foi experiência de professor de surfe. Se em vez de mim, fosse o professor Jader, talvez a Valentina hoje fosse minha parceira nas ondas.

Acompanho suas aulas sempre que estou no mar pegando minhas ondas e inclusive naqueles dias em que o clima não está tão divertido, com chuva, vento e frio. O cara é um trabalhador. E sempre com uma energia e um sorriso que fazem qualquer um se empolgar. Sorte dos alunos dele. Sorte nossa, que não teremos que lidar no futuro com surfistas despreparados oferecendo risco para nós e também para eles próprios.

Além disso, a Escola de Surfe do Jader, chamada Escola de Surfe Primeira Onda, faz um trabalho de inclusão social exemplar: há pouco mais de dois anos, algumas crianças de um bairro pobre de Tramandaí, fazem aulas grátis duas vezes por semana. A única coisa que o professor Jader exige delas é estarem matriculadas e frequentando uma escola. Hoje o projeto atende 20 crianças com idade entre 8 e 15 anos. O objetivo do projeto, segundo o próprio Jader me contou, é "afastar estas crianças do ambiente hostil em que vivem e ensinar-lhes o valor do esporte e da escola". E não se engane, as crianças devem mostrar o boletim para o professor: nada de notas baixas ou faltas!

O Jader surfa muito bem e é muito experiente. Ele começou a dar aulas há muitos anos e está plenamente capacitado a ensinar novatos sobre aqueles movimentos complicados que descrevi ali em cima. Nenhum curso de Educação Física o teria preparado para isto. Nenhum professor de Educação Física que não seja um surfista experiente jamais estaria apto a dar as aulas de surfe que o Jader ministra. A não ser que ele aprenda a surfar com o professor Jader.

Agora me contaram que o CREF quer suspender o direito do Jader de dar aulas (pois ele não possui o registro). Só podem estar de brincadeira! Me corrijam se eu estiver errado, mas até onde sei, não há a especialização em surfe no curso de Educação Física. Daquelas coisas que ninguém consegue entender.

Perguntei para o Jader por que ele não fazia o curso para evitar criar caso e ele me contou que chegou a começar, mas o orçamento ficou apertado e ele teve que trancar a matricula. Então tenho uma sugestão para o pessoal do CREF, uma solução onde todos sairão ganhando - principalmente os alunos da Escola de Surfe Primeira Onda (incluindo aqueles 20 que fazem parte do projeto social): ofereçam uma bolsa para ele e se quiserem pedir algo em troca, quem sabe o Jader dá aulas de especialização em surfe fazendo disto, um curso de Pós para os profissionais que já possuem o CREF?

Acredito na boa intenção do CREF, mas também acredito naquilo que minhas mais de 4 décadas de surfe me fizeram ver: não existe nada mais importante para um surfista iniciante do que uma boa orientação, transmitida de surfista para surfista.

Fico desde já na torcida por um final feliz e que eu continue testemunhando o trabalho exemplar do professor Jader junto à plataforma de Tramandaí.

Voltando? Nah!

Tá ali embaixo a data da última vez em que escrevi aqui: 2011! O Careca dos infernos ainda mandava prender e soltar no Circuito e a gente ainda pensava em título mundial de surfe para o Brasil como uma coisa muito distante, talvez impossível de acontecer.

Alguns títulos brasileiros depois, já entrando no início de uma segunda tempestade brasileira  e com um quase protagonismo dos canarinhos no Circuito, resolvi aparecer por aqui.

Primeiro tive que fazer uma faxina. O cheiro de mofo estava insuportável e os links, marcas, dicas, contadores e várias informações aqui à direita, completamente caducos. Arregacei as mangas, corrigi (quase) tudo e depois, antes de voltar a escrever, lavei as mãos com bastante álcool gel.

Foram quase 7 anos. 7 ANOS!! SETE ANOS!!! Quanta coisa aconteceu nestes quase 2.500 dias. Nesta época em que as redes sociais ditam tendências, a mídia de papel perde feio para a que está na nuvem e blogues estão completamente demodê, quem seria louco de perder tempo escrevendo para ninguém num blogue?

Calma, se tem alguém aí eu explico: tenho um defeito incurável de medir o comportamento dos outros pelo meu. E como eu não tenho mais paciência para ler quase nada online, fico pensando que o mesmo ocorre com os outros. Preciso botar o Whatsapp um pouco de lado. Sei que este aplicativo está roubando um tempo precioso da minha vida.

Falando na minha vida, diversas coisas mudaram: minha filha agora é uma adolescente (e eu estou recebendo de volta todo o "carinho" que dediquei aos meus pais quando eu era um rebelde sem causa), virei sócio numa empresa que monta projetos de waveparks, deixei de representar uma empresa americana que fabrica simuladores de surfe e comecei a trabalhar com uma brasileira que fabrica tudo no Brasil, organizei mais 3 edições do festival de surfe mais bacana que existe e, claro, ganhei mais um bocado de experiência no meu negócio principal, que é o design gráfico.

De qualquer maneira, se realmente há alguém me lendo aí, agradeço a atenção, e reforço o que está lá no título desta postagem: não estou voltando. Seria muita pretensão da minha parte afirmar que vou voltar a escrever com frequência aqui. Mas agora que eu fiz a faxina, ficou mais fácil. Dê uma olhada aqui de vez em quando. Pode ser que vocês se surpreenda!