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terça-feira, 21 de agosto de 2018

WSL - Tahiti

Medina é "o cara" no Tahiti? Texto por Renato Sachs / Foto: WSL

WSL - FCS2 - Hierarquia, Legado, Futebol Brasileiro e Surf competição são palavras que estão martelando na minha cabeça desde a Copa da Rússia. Fico pensando como os Americanos (o início do esporte tem 2 teorias: começou no Hawaii ou Peru) ou Australianos, que começaram a expandir o formato de competição e indústria de surfwear mundo afora, estão protegendo a "sua cultura" dos brasileiros?

O Brasil do futebol também teve que ultrapassar barreiras entre os anos 20 e 50, pois o esporte era dominado por ingleses e países do leste europeu. A partir de 1958 nós conhecemos bem a história, fomos vitoriosos dentro e fora de campo. Somos umas das 5 maiores potenciais do esporte. 

No Surf, esporte como competição, também foram necessárias algumas décadas para forjarmos os nossos atuais campeões, é impressionante que não precisamos dos veículos de comunicação externos para chancelarmos nossa liderança. O melhor surfista deles (Dane Reynolds) precisa juntar 9 meses de gravações para fazer um clip de de 5 min para ser regojizado pelos sites mundo afora; coloca uma câmera ligada 5 minutos em alguma praia do Nordeste Brasileiro e espera o Show, tu teras uma novela de tantos momentos....  Nós temos 2 canais de TV exclusivos (Woohoo e Off) e ainda a ESPN nos brindando em full HD com o WCT. Algum país tem este currículo? As decisões continuam sendo tomadas por australianos ou americanos, os quais nunca pensaram ou conseguiram globalizar o esporte, a não ser pela inteligência de um camarada Argentino, que com muita dedicação colocou o nosso esporte nas Olimpíadas (se precisamos dela é outra conversa). Não seria hora de termos alguém competente vindo do Brasil para tomar as decisões do futuro do esporte? A WSL não pode pensar o Surf como um esporte local americano e se fechar para o resto do mundo, precisa sim abrir os olhos para exemplos como o das Seleções de Futebol menos privilegiadas, que buscam atletas de alta performance e acabam nacionalizando-os em busca de vitórias e intercâmbio para evolução do esporte.

As marcas de surfwear estão sendo deixadas de lado, vide a etapa do Tahiti que não tinha patrocinador Master, a WSL já deveria saber fazia alguns bons meses e mesmo assim não conseguiu vender a cota. Falta de força de vontade não deve ser, mas o comodismo de anos na segurança das marcas criaram uma dependência enorme. Acredito que a WSL nos enxerga como passageiros e podam a nossa potência executiva, eles precisam entender que uma das evoluções do esporte chegou pelos mares do Atlântico sul.

A competição na Polinésia colocou os nossos heróis em patamares mortais, a previsão não ajudou, mas a competição tem que acontecer e o calendário seguir...Continuo achando que o melhor formato de evento é o BWWT.

Round 1, Jordy Smith definitivamente precisa aprender a pegar esquerda, alguém critica ele como criticam o Toledo? Não, por que? também não sei...Ítalo parece que estava surfando outro mar, bons tubos e ondas longas, GM e Toledo (4 fins) fizeram o dever de casa, precisamos definitivamente de um point break para esquerda no início da temporada, estamos em agosto e somente agora podemos ver a violência, força e precisão do Gabriel, fora leitura de onda. Toledo sabe surfar ondas perfeitas como poucos, e a elegância é fora do padrão. Mineiro e sua técnica majestosa de entubar.

Round 2, as condições do mar me pareceram melhores, Julian caiu precocemente precisando de 
uma nota 1.84, um absurdo ele não ter um técnico brasileiro, inadmissível não ter alguém berrando no canal ou puxando a suas orelhas no pós bateria. Ian sangrando para passar, Colapinto admitindo que precisa treinar mais no local, Owen sendo Owen, força, flexibilidade e borda são seus aliados, a troca de equipamento lhe trouxe confiança, Rodrigues muito confortável e sabendo o que fazer, se não tem tubo vamos pro pau, em alto e bom tom, Jeremy na melhor entrevista resumiu o sentimento da nação: estamos no paraíso, não está 6´a 10´, mas estamos no paraíso, vou aproveitar!!! E olha que o camarada das Ilhas Reunião tem pedigree violentíssimo de tube rider. Jesse muito consciente e seguro passou a sua, Yago imitando GM, só que colocou o seu tempero no final caminhando sobre as águas.

Rounds 3 e 4 foram os mais difíceis de se competir, muita coisa em jogo e somente 1 onda boa por bateria, a sorte teria que andar colada no melhor estrategista e leitor de onda, coisa que o GM sabe fazer como poucos, a leitura da corrente contrária é absurda, ele não lê a onda pelo tamanho e sim pela corrente....os líderes e candidatos ao título da etapa foram seguros em suas escolhas, Ítalo sofreu um pouco, mas passou.

Finais, acredito que Toledo poderia estar de 3 fin, assim o pivô teria facilitado a verticalidade da prancha, Jeremy é um cara muito competente em ondas de reef e quanto a final para o Gabriel foi o inverso do ano passado, onde o Julian conseguiu 2 excelentes ondas no final da bateria, desta vez a onda vencedora apareceu no último minuto, onde no pós tubo o cara não conseguiu segurar a emoção e quase perde o resto da onda, eu disse quase, porque o equilíbrio e precisão que estes caras tem são dons da elite, esta onda acabou coroando o bi-campeão da etapa e camaradagem entre os finalistas.

Finalizando os assunto sobre legado, Felipe Pomar, Peruano Campeão Mundial em 1965, o feito inédito foi aproveitado pelos peruanos?

terça-feira, 21 de agosto de 2007

TAM e Placa de Nazca

A manchete da notícia do saite do Estadão diz assim:
"Chega ao Peru a maior ajuda internacional já feita pelo Brasil."
Sei. Agora eles foram rápidos, não? Foto: Estadão


Recebi do amigo de um amigo, este texto. Para mim, está claro e objetivo além de conseguir transmitir um pouco da indignação que todos nós estamos sentindo com o descaso das autoridades brasileiras com a baderna instalada no setor dos transportes aéreos.

Segue o texto, de autoria do Renan de Castro Alves Pinto:

"Como na maioria dos casos, as grandes tragédias representam um momento de união entre as pessoas. Em meio ao caos e aos piores sentimentos de desespero e perda, as pessoas são capazes de ignorar as diferenças e barreiras, unindo-se com o único objetivo de salvar vidas e transmitir solidariedade. Neste momento, negros, brancos, católicos, protestante, gays, brasileiros, argentinos, gremistas, colorados, esquecem qualquer tipo de característica social ou antropológica que sempre diferenciou essas pessoas. Não obstante, existe um tipo de pessoa que pode reagir de uma forma totalmente particular de acordo com os seus interesses. São os filhos de um contêiner cheio de prostitutas conhecidos como políticos.

No último mês, vivi duas situações semelhantes nas quais os políticos se comportaram de forma totalmente diferente, corroborando com o que declaro acima.


A tragédia do vôo JJ 3054 me tocou de forma pessoal não somente pela presença de conhecidos, mas também pela proximidade do fato. Assim sendo, a reação dos nossos políticos me causou asco e me fez lembrar "dos meus instintos mais primitivos". Analisando a seqüência dos acontecimentos tenho absoluta certeza de que todos compartilharão dos meus sentimentos. Após a queda do Airbus no edifício da TAM Express, a informação mais oficial que tínhamos eram as irresponsáveis, eloqüentes e sensacionalistas declarações do José Luis Datena, repórter da rede Bandeirantes. Nada de Infraero, ANAC, Polícia Federal, etc. As primeiras autoridades que chegaram ao local da tragédia, foram o governador do estado de São Paulo, José Serra, e o prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab. A sociedade esperava ansiosamente por notícias. No aeroporto Salgado Filho, nossos conterrâneos nem sequer tinham acesso à lista de passageiros, gerando uma agonia mortal em todos. E a todo momento eu me perguntava onde estava uma pessoa: Luiz Inácio Lula da Silva - o presidente torneiro-mecânico que, segundo ele mesmo, sempre se sensibilizou com questões sociais. Ora, estávamos enfrentando uma tragédia social. Mas ele não se sensibilizou. Nesse ínterim, eu vi a careca do Marco Antonio Bologna, as risadas do VP de planejamento da TAM, a bizarra condecoração do Zuanazzi, o "top top" de Marco Aurélio Garcia e o "fode fode" de seu assessor, a feiúra do Brigadeiro Kersul, e nada do nosso excelentíssimo Presidente da República. Ou seja, tínhamos três situações: o desespero e a tristeza das famílias, os protagonistas da crise aérea procurando um culpado e o excelentíssimo Presidente da República. Onde estaria esse cretino? Fiquei sabendo que ele tinha acabado de passar por uma intervenção cirúrgica e portanto não podia aparecer. Ele tinha tirado um tersol! Realmente, algo muito sério. Algo tão sério que impediu qualquer tipo de pronunciamento por parte do nosso excelentíssimo Presidente da República. Deve ser muito sério para um presidente torneiro-mecânico que é mais vaidoso que a Vera Loyola.


Na noite de ontem, 160Km a sudoeste de Lima, Peru, onde vivo, houve um terremoto de 7.5 graus (na escala Richter) de magnitude. Eu estava parado no trânsito, mas a sensação foi desesperadora. Por um momento, acreditei que o chão se abriria. Juntamente com toda a população de Lima, segui o meu caminho para casa. Estava escutando a rádio de maior alcance no Peru. A cobertura era imediata em todo o país. Logo depois de 30 minutos passada a tragédia, ainda não se tinha a mínima idéia da dimensão e das perdas ocasionadas. No entanto, viu-se uma mobilização invejável da sociedade. Mas como já disse: nesse momento o gay e o macho são a mesma pessoa. Me chamou muito a atenção a atuação dos políticos locais. No minuto 30, o ministro da saúde determina que todos os médicos do país fiquem de plantão para qualquer emergência. Hoje pela manha, a maior parte dos assessores do poder executivo estava no epicentro do terremoto: a devastada cidade de Pisco. O presidente Alan García enfrenta um péssimo momento de popularidade, no entanto há umas duas horas escutei que ele estava ajudando a retirar os escombros de uma igreja que desabou. Os protestos estão em voga no país, mas o presidente cumpre o seu papel de líder do país.


Qual a diferença entre a TAM e Placa de Nazca? A resposta está em quem conduz o seu país num momento de desespero. O nosso excelentíssimo Presidente da República não soube fazer isso. Ele se escondeu. Ele pagou pau. Ele é um bosta!
Por favor, não me julguem quando digo que não sou patriota."

Por Renan de Castro Alves Pinto

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Aos poucos a coisa vai

Crédito a quem merece. Defendo este princípio até o fim. Sempre.

Quando meu amigo Paulo Magalhães debruçou-se sobre o problema da cobrança de taxas pelo transporte de pranchas, ninguém se interessou em prestar-lhe solidariedade. A Federação Gaúcha de Surf deu de ombros. Alguns amigos nossos deram alguns tapinhas nas costas mas não depositaram muita fé.

Agora, quase um ano de muito trabalho depois, além de ter colecionado inúmeros depoimentos de surfistas que viajaram sem pagar valendo-se única e exclusivamente da documentação levantada pelo Paulo e a divulgação da mesma aqui no Tracks e via e-mail, nos chega esta notícia:

" Gol isenta surfistas de franquia para levar prancha ao Peru
A companhia aérea Gol isenta até 30 de setembro os passageiros em viagens entre Brasil e o Peru da franquia cobrada para o embarque de pranchas de surfe. Atletas profissionais ou amadores poderão levar até duas pranchas, além de capa de proteção, sem custos adicionais nas rotas Brasil-Peru-Brasil ou vice-versa. Cada prancha deverá ter no máximo 200 centímetros de altura por 75 cm de largura e 25 cm de espessura."

(Fonte: UOL)

Eu considero isto um bom prenúncio do que pode estar vindo por aí.