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domingo, 3 de junho de 2018

WSL - Keramas

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em pé
Mais um pódio verde e amarelo pra conta de 2018

WSL - Bully´s (Por Renato Ferreira Sachs)

Ídalo....Ídalo....porque começaste o evento que traria o Surf de volta para um dos melhores arquipélagos do Planeta com o pé esquerdo? Tu já sabia que iria terminar da mesma maneira? A troca de direção não seria somente no trânsito local, mas também na perfórmance (a última onda surfada por ele como regular é melhor do que qualquer onda surfada por mim).
Estamos celebrando o retorno da Indonésia com uma festa espetacular. Mesmo do lado "errado" da ilha (temporada ideal para Keramas é no segundo semestre), as doses homeopáticas diárias no horário nobre da tv me fez delirar com os meus heróis nas melhores condições possíveis, começando com tubos e acabando no ar.
Começando o show, 2JJF teve um wake up call, nos chamou a atenção com a sua brabeza, com as condições no momento de 5 a 6 pés, período alto a estratégia se tratando de um lugar maravilhoso é a básica: espera a bomba que ela virá, mesmo sem a prioridade tu tem a oportunidade de fazer a nota.
Mas a natureza começou a dar sinais que a festa seria diferente, a gigante Surfline começou a se preocupar, porque ao contrário, o site concorrente Magicseaweed mostrava a realidade nas suas previsões. Gabriel ganhou a bateria com um total de 5.60 e acabamos tendo o pior round 1 do ano até agora. Os somatórios foram desesperadores.

Jordy surfava como se estivesse em Trestles, Joan Duru com a sina de ter o quarto melhor somatório, mas não suficiente para passar de fase, e as condições se deteriorando, estamos na Indonésia, a janela de espera é grande, para tudo e recomeça nos próximos dias....
Pausa obrigatória: FIJI estava GIGANTESCO e PERFEITO, Kelly Mal Educado Slater, já estava havia 2 dias na ilha do amor esperando o swell mágico, claro que avisou os seus lacaios em cima da hora para chamarem um alternate....todo o planeta sabia que Cloudbreak estaria maravilhoso entre os dias 25/05 até 20/06, era só olhar os campeonatos anteriores, é a janela mais fácil do calendário, podem marcar as passagens para 2019 que estará lindo de se ver.
Round 2 na água com Toledo e Ídalo nos dando dor de barriga, Kolohe deixando passar a onda salvadora e vendo o Mickey se divertir, os tubos começaram a sumir, Ian me pareceu com uma prancha um pouco longa de mais para as manobras que o mar pedia, coisa que o Wilko soube analisar e executar umas 10 vezes por onda no sentido 12 hrs. Jesse estava mostrando as suas garras, Ezekiel, cruz credo, o que ele fez com a coitada da direita, o havaiano peso médio abriu a onda em 2 partes. Rodrigues x Yago 10 ondas contra 7 surfadas no total, contagem absurda de ondas, briga aberta, alta performance e fome estavam de mãos dadas, Yago se tivesse forçado um pouco mais o pé de trás teria notas melhores....Thomas sendo Thomas, veloz, preciso e bordas alinhadas, um dos poucos a saber a utilidade das quilhas de fibra de vidro, controle e força trazendo equilíbrio para o seu corpo.
Round 3, Jesse foi para as alturas e desferiu um 9 contra o 2JJF, o mais assustador não foi o momento da manobra, mas a linguagem corporal do Paulista achando que não tinha ganhado a nota, coisas obscuras no mundo do julgamento. Eu amo Bourez, o Willian sem a prioridade achou uma onda intermediária e usou tanta força que mandou a mesma de volta ao lugar de origem. Owen ganhando 5.17 por um "não tubo", vai entender...A falta de vontade do pessoal do segundo andar em soltar as notas com os camaradas de pior ranking é algo digno de estudo. Mickey e Colapinto estragando a festa de alguns. Gabriel brutal, muita, muita força e flexibilidade, as pranchas dele são uma extenção natural dos seus desejos. Mineiro x Parko, o 7.73 do brasileiro foi de uma violência sem precedentes, já o 7.53 do australiano, muito bem surfada, 5 manobras, mas parecia que eu tinha voltado aos anos 80. Pior ainda se compararmos o 7.77 para o Tubo e 2 rasgadas absurdas do Flores, então vem o Jordy, coloca os pés na prancha, tubo + rasgada + estilo e ganha um 9.43, tudo desproporcional no segundo andar.
Round 4 o mar continuava dos sonhos, quando os 2 melhores brasileiros do evento, Ídalo (80 % da sua forma) e Toledo (70 % da sua forma) surfariam juntos, mas graças a Deus os 2 teriam chances de passar para o próximo round. Nesta bateria achei que o Mineiro precisaria achar uma maneira de jogar mais água para o céu, assim chamaria mais a atenção. Kelly Mal Educado Slater não estava fazendo falta!!! Bourez quebra a sua prancha mágica (melhor prancha que teve na vida, segundo as suas palavras), suas atitudes davam a entender que tinha perdido um parente próximo, fiquei me perguntando: as Firewire não são construídas em uma linha de produção onde todas são idênticas? Pelo jeito não...O tempo foi passando e garfearam o maior mamífero do tour, tudo conspirando para o wild card permanente e novato do Clã Wright, logo em seguida, como se não bastasse anabolizaram a primeira onda a favor do Jordy contra o Toledo, que claro se desmotivou.
Ídalo é o aluno que todo mestre gostaria de ter: disciplinado, carismático e um dom fora do normal, o Pinga deve falar: bate 5 vezes na onda de um jeito que as pernas irão pegar fogo, quando der sai voando, mas não baixa de 2 metros de altura, repete em todas as ondas, escutou? Como se não bastasse ele faz tudo que o técnico pediu e acrescenta o modo perfeição, é de uma delicadeza e força no seu surf que ninguém consegue entender. Já que a Billabong apostou no guri, aproveita e abre o cofres, investindo no seu Shaper, o T. Patterson, fabricante da velha guarda de San Clemente, a água da região é muito boa, só tem peso pesado quando o assunto é prancha boa.
Quanto ao troféu precisaríamos de um texto a parte, só posso dizer que roubaria, mataria, esconderia a parafina do concorrente para ter a oportunidade de ter um trófeu destes. Empata com o antigo chapéu de Samurai do Pipe Master.
Vamos celebrar a Indonésia, nós surfistas sonhamos e sabemos que temos 2 templos sagrados: Hawaii e Indonésia, o Tour ficaria lindo, divertido e progressivo com mais etapas por lá, poderiam fazer que nem o BWWT, quando tiver ondulação chama todo mundo, ninguém vai deixar de aparecer no line up.
Pergunta que não quer calar: Quem pagou a conta da Etapa de Uluwatu? continuação da etapa de Margaret River, foi dinheiro do Governo Australiano? Pois as garantias para realização do evento sempre são pagas com meses de antecedência e este evento foi anunciado faz 2 meses...

domingo, 27 de maio de 2018

WSL - Saquarema

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Voa Toledo!

WSL - FCS2 (Por Renato Ferreira Sachs)
Nós amamos Saquarema. Tudo conspirou a favor quando a Mãe Natureza soube que o Rei de Pipe, Gerry Lopez, estaria no Brasil, mas precisamente na semana do CT.
Estávamos passando por um outono normal com poucos ventos do quadrante sul até o Rei colocar os pés no Brasil e as previsões começaram a mudar de figura, ganharam força e pressão para num futuro próximo se transformar no que viria a ser: O melhor CT da história no país. No canto direito da praia de Itaúna, uma direita que já existia, poderosa e limpa, mas com o ajuste do homem ganhou qualidade. Aliada a ondulação que estava chegando, nos apresentou mais uma onda de nível internacional e pasmem na mesma praia. O canto esquerdo já é digno de sonhos, o direito mais perto dos pesadelos para nós meros mortais. No Brasil já seria uma raridade termos este tipo de onda, imaginem 2 ondas poderosas na mesma praia!!! Teríamos o trabalho facilitado dos canais de previsão de onda em conjunto com a direção de prova, pois teríamos sobra de ondulação, só precisando ajustar aos horários dos ventos.
O evento começou com o power do Toledo (usando rabeta swallow em sua prancha), Pupo surfando com inteligência derrubando Smith, o mar começou a ganhar tamanho e força, ficando nervoso, as emoções começaram a aparecer, as variações de leitura de onda em condições poderosas trazem muito mais emoções do que 20 manobras iguais em uma onda perfeita. O 2JJF esta me preocupando, queremos ver show e o surf esta lá, mas escondido, não poderia usar a desculpa da onda ser ruim, pois praticamente estava em casa, a única mudança seria a troca da cerveja por caipirinha. Gabriel surfando com muita fluidez e velocidade, a contagem de onda em beach break foi absurda. Adriano estava muito fluido e com a força habitual, estava com saudade de assistir o camarada. Colapinto tem uma precisão de assustar. Alejo e Panda trouxeram toda a experiência para o line up, sabem jogar o jogo e muito bem. No quesito nota 10, Ian Carrol Gouvea pegou um dos melhores tubos do evento e finalizou a onda de uma maneira extremamente violenta, uma batida em 2m de junção que poucos sobreviveriam aquela força.
O Oceano apresentava as mudanças de humor corriqueiras, foi muito bom ver e aprender com as estratégias, a paciência se transforma numa palavra extremamente importante, pois ela deve ser usada no tempo certo, os atletas não escondiam o jogo, que era limpo, claro e objetivo. Os tubos estavam presentes. A inteligência usada nas escolhas das manobras para o encaixe certo foi de um grau impressionante, muitas vezes as manobras foram conservadoras, mas precisas. Um exemplo foi a bateria do Sebastião x Duru, acredito que tenha sido uma das melhores do ano e resume bem o pensamento acima. Os rounds foram passando e não posso deixar de falar sobre o melhor aéreo já executado na história do Surf. Toledo se projetou de uma maneira assombrosa e perigosa, sobre um vôo extremamente longo, acho que ficou mais tempo no ar do que nos tubos. Difícil alguém no planeta superar o feito do camarada que mais que ninguém deixou claro naquele momento que é: O melhor surfista do planeta e esta pronto para o título mundial. O progresso esta chegando pela sua cabeça e pés. Todas as vezes que ele sobe na prancha não sabemos o que vem pela frente, cabe a nós espectadores controlar o coração, sentirmos a adrenalina correr pelo corpo e trancarmos o ar, pois a porrada é grande, seja no ar ou na água. Ele ganha os eventos que quiser, claro que tem sempre um outro camarada querendo o título também, desta vez foi Wade, o rookie peso pesado, escola power australiana que tentou, chegou com as melhores credenciais possíveis a final, muito surf, pouco dinheiro e pouca bagagem/badalação, mas suficientes para causar o estrago que causou durante o evento. Mas num tubo nota 10 Toledo fechou a conta e foi para casa com a vice liderança do circuito.
As pranchas Sharpeye do Toledo estão cada vez mais se transformando numa extensão do seu corpo físico e mental, pode quebrar quantas forem que os backup´s são tão bons quanto as anteriores. A ligação shaper x surfista esta muito nítida. 
2 comentários breves:
- Começarei a assistir a transmissão em português, pois Neco Padaratz participará das mesmas;
- Até o (site) gigante Surfline sucumbiu a Saquarema falando que a mesma era melhor que a piscina, quem não sabia?