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domingo, 3 de junho de 2018

WSL - Keramas

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em pé
Mais um pódio verde e amarelo pra conta de 2018

WSL - Bully´s (Por Renato Ferreira Sachs)

Ídalo....Ídalo....porque começaste o evento que traria o Surf de volta para um dos melhores arquipélagos do Planeta com o pé esquerdo? Tu já sabia que iria terminar da mesma maneira? A troca de direção não seria somente no trânsito local, mas também na perfórmance (a última onda surfada por ele como regular é melhor do que qualquer onda surfada por mim).
Estamos celebrando o retorno da Indonésia com uma festa espetacular. Mesmo do lado "errado" da ilha (temporada ideal para Keramas é no segundo semestre), as doses homeopáticas diárias no horário nobre da tv me fez delirar com os meus heróis nas melhores condições possíveis, começando com tubos e acabando no ar.
Começando o show, 2JJF teve um wake up call, nos chamou a atenção com a sua brabeza, com as condições no momento de 5 a 6 pés, período alto a estratégia se tratando de um lugar maravilhoso é a básica: espera a bomba que ela virá, mesmo sem a prioridade tu tem a oportunidade de fazer a nota.
Mas a natureza começou a dar sinais que a festa seria diferente, a gigante Surfline começou a se preocupar, porque ao contrário, o site concorrente Magicseaweed mostrava a realidade nas suas previsões. Gabriel ganhou a bateria com um total de 5.60 e acabamos tendo o pior round 1 do ano até agora. Os somatórios foram desesperadores.

Jordy surfava como se estivesse em Trestles, Joan Duru com a sina de ter o quarto melhor somatório, mas não suficiente para passar de fase, e as condições se deteriorando, estamos na Indonésia, a janela de espera é grande, para tudo e recomeça nos próximos dias....
Pausa obrigatória: FIJI estava GIGANTESCO e PERFEITO, Kelly Mal Educado Slater, já estava havia 2 dias na ilha do amor esperando o swell mágico, claro que avisou os seus lacaios em cima da hora para chamarem um alternate....todo o planeta sabia que Cloudbreak estaria maravilhoso entre os dias 25/05 até 20/06, era só olhar os campeonatos anteriores, é a janela mais fácil do calendário, podem marcar as passagens para 2019 que estará lindo de se ver.
Round 2 na água com Toledo e Ídalo nos dando dor de barriga, Kolohe deixando passar a onda salvadora e vendo o Mickey se divertir, os tubos começaram a sumir, Ian me pareceu com uma prancha um pouco longa de mais para as manobras que o mar pedia, coisa que o Wilko soube analisar e executar umas 10 vezes por onda no sentido 12 hrs. Jesse estava mostrando as suas garras, Ezekiel, cruz credo, o que ele fez com a coitada da direita, o havaiano peso médio abriu a onda em 2 partes. Rodrigues x Yago 10 ondas contra 7 surfadas no total, contagem absurda de ondas, briga aberta, alta performance e fome estavam de mãos dadas, Yago se tivesse forçado um pouco mais o pé de trás teria notas melhores....Thomas sendo Thomas, veloz, preciso e bordas alinhadas, um dos poucos a saber a utilidade das quilhas de fibra de vidro, controle e força trazendo equilíbrio para o seu corpo.
Round 3, Jesse foi para as alturas e desferiu um 9 contra o 2JJF, o mais assustador não foi o momento da manobra, mas a linguagem corporal do Paulista achando que não tinha ganhado a nota, coisas obscuras no mundo do julgamento. Eu amo Bourez, o Willian sem a prioridade achou uma onda intermediária e usou tanta força que mandou a mesma de volta ao lugar de origem. Owen ganhando 5.17 por um "não tubo", vai entender...A falta de vontade do pessoal do segundo andar em soltar as notas com os camaradas de pior ranking é algo digno de estudo. Mickey e Colapinto estragando a festa de alguns. Gabriel brutal, muita, muita força e flexibilidade, as pranchas dele são uma extenção natural dos seus desejos. Mineiro x Parko, o 7.73 do brasileiro foi de uma violência sem precedentes, já o 7.53 do australiano, muito bem surfada, 5 manobras, mas parecia que eu tinha voltado aos anos 80. Pior ainda se compararmos o 7.77 para o Tubo e 2 rasgadas absurdas do Flores, então vem o Jordy, coloca os pés na prancha, tubo + rasgada + estilo e ganha um 9.43, tudo desproporcional no segundo andar.
Round 4 o mar continuava dos sonhos, quando os 2 melhores brasileiros do evento, Ídalo (80 % da sua forma) e Toledo (70 % da sua forma) surfariam juntos, mas graças a Deus os 2 teriam chances de passar para o próximo round. Nesta bateria achei que o Mineiro precisaria achar uma maneira de jogar mais água para o céu, assim chamaria mais a atenção. Kelly Mal Educado Slater não estava fazendo falta!!! Bourez quebra a sua prancha mágica (melhor prancha que teve na vida, segundo as suas palavras), suas atitudes davam a entender que tinha perdido um parente próximo, fiquei me perguntando: as Firewire não são construídas em uma linha de produção onde todas são idênticas? Pelo jeito não...O tempo foi passando e garfearam o maior mamífero do tour, tudo conspirando para o wild card permanente e novato do Clã Wright, logo em seguida, como se não bastasse anabolizaram a primeira onda a favor do Jordy contra o Toledo, que claro se desmotivou.
Ídalo é o aluno que todo mestre gostaria de ter: disciplinado, carismático e um dom fora do normal, o Pinga deve falar: bate 5 vezes na onda de um jeito que as pernas irão pegar fogo, quando der sai voando, mas não baixa de 2 metros de altura, repete em todas as ondas, escutou? Como se não bastasse ele faz tudo que o técnico pediu e acrescenta o modo perfeição, é de uma delicadeza e força no seu surf que ninguém consegue entender. Já que a Billabong apostou no guri, aproveita e abre o cofres, investindo no seu Shaper, o T. Patterson, fabricante da velha guarda de San Clemente, a água da região é muito boa, só tem peso pesado quando o assunto é prancha boa.
Quanto ao troféu precisaríamos de um texto a parte, só posso dizer que roubaria, mataria, esconderia a parafina do concorrente para ter a oportunidade de ter um trófeu destes. Empata com o antigo chapéu de Samurai do Pipe Master.
Vamos celebrar a Indonésia, nós surfistas sonhamos e sabemos que temos 2 templos sagrados: Hawaii e Indonésia, o Tour ficaria lindo, divertido e progressivo com mais etapas por lá, poderiam fazer que nem o BWWT, quando tiver ondulação chama todo mundo, ninguém vai deixar de aparecer no line up.
Pergunta que não quer calar: Quem pagou a conta da Etapa de Uluwatu? continuação da etapa de Margaret River, foi dinheiro do Governo Australiano? Pois as garantias para realização do evento sempre são pagas com meses de antecedência e este evento foi anunciado faz 2 meses...

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Surf Sintético


A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, água, oceano, atividades ao ar livre e natureza
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WSL/Cloro - FCS2 (Por Renato Ferreira Sachs)
O Surf é imprevisível e não podemos controlar o ambiente natural que cercam as ondas. Podemos sim nos adaptar, nós temos pelo menos 3 sites de previsão de Surf que nos ajudam e muito aumentando o nosso grau de acerto para os melhores dias. Nestes casos viajamos algumas horas, esperamos o dia certo, dor de barriga na noite anterior que precede um dia de boa ondas, acordar cedo, chimarrão no ponto e festa. Todo este ritual na minha praia amada ocorre poucos dias durante uma semana, então o gosto pelo momento se torna maior. Toda esta vivência não tem como ser mensurada. simplesmente não tem, desculpem aos outros esportes, mas somos arrogantes e prepotentes por natureza.
                    
Não coloquem a piscina como uma opção de "Surf", o Surf é feito e praticado no mar, com interferência da mandatária maior, a Natureza. Temperatura do ar, direção dos ventos e ondulação, localização das tempestades, são apenas alguns dos elementos que nos movem como uma tribo.
Fiquei me perguntado durante os 2 dias do evento o que seria mais divertido: colocar todos atletas num avião partindo para Fiji, México, Chile ou Africa para assistirmos pela internet, (sim internet, somos percursores neste assunto) os camaradas surfarem de verdade ou nos submetermos ao controle de tempo e horário impostos pela TV Aberta, para nos transformarem no que nós não somos.

Podemos ficar discutindo durante anos o que esta por vir no quesito: Surf Sintético. Algumas sugestões de pautas:
- Qual será a sua influência nos próximos anos? Olimpíadas: nunca precisamos dela para existirmos ou vivermos. A não ser que tu queira controlar o ambiente e ganhar dinheiro. Olimpíadas de inverno existem para os esportes de inverno. O Surf também tem a sua melhor estação no calendário. No caso do Japão como país sede em 2020 e os próximos jogos, qual será a escolha: O Japão que tem centenas de ondas boas ou Piscina? Hossegor ou Piscina? Trestles e Pipe ou Piscina? Esta discussão não esta na nossa alçada, só podemos discutir nas rodas de chimarrão. O meu pensamento e objetivo seriam levar a experiência do surf para lugares sem onda, assim, propagaremos o nosso estilo de vida.

- Campeonatos válidos pelo circuito serão tão divertidos assim? No formato deste evento, sinceramente, achei muito monótono se nos basearmos pelo primeiro round. A pior parte foi o intervalo entre as ondas que a WSL não soube nos entreter, foram muito fracos e repetitivos. Se superaram, pois tinham as principais figuras da industria e não souberam vender o peixe...

- Julgamento? poderiam ter sido mais audaciosos já que era um evento teste e colocado 5 ex surfistas profissionais num painel paralelo, perderam a chance de aprender de como um surfista profissional analisaria, principalmente as ondas do General Gabriel de como se entuba de backside em mini tubos, poderiam ter dado nota 12 pelas últimas ondas. Mas não, prefiram o Jordy e Kanoa alisando toda a extensão da onda ( cerca de 700 metros) para um aéreo medíocre no final. Coisa que o Toledo fazia no início da onda. Fora a última onda do Kelly que foi a melhor que eu vi dele nos últimos anos em competição e os caras não abriram a nota. O 2JJF apareceu???

- Teremos mudança nas manobras? Não vi nada de novo, ao contrário, repetiram mil vezes as rasgadinhas de fundo de prancha numa onda sem força na base. O Bourez na sua primeira onda para esquerda foi o primeiro a bater reto. O Mineiro não soube surfar para a direita. Alguém surfou de base trocada?

- Pranchas e equipamentos: As partes mais importantes do evento, tão valiosos e pouco relacionadas as performances amadoras que vimos neste primeiro evento. Observei que poucos atletas foram audaciosos e saíram da zona de conforto buscando algo a mais, alguns escolhiam pranchas diferentes para cada tipo de onda, posições de quilhas alternadas, mas em si poucas alterações, inclusive na primeira onda do domingo nós vimos o Tom Curren cair da prancha do Kelly, eu acho que nunca tinha visto o Curren cair de alguma prancha, mas era da marca do Kelly, era melhor ele ter surfado de sonrrizal.....
               
Quanto a Copa que nós vimos, reparamos que todos os convidados se divertiram e beberam, e muito (como em qualquer evento), todos acharam pequenas variações nas ondas, na maioria das vezes a esquerda gorda era maior que a direita tubular. Porque um jetsky gastando gasolina se poderia ter um teleférico? Se me perguntarem: Este é o futuro do Surf competição? Responderei que neste formato acho impossível, não quero voltar aos anos 80.
Quero G-Land e Fiji!!!! Prefiro a imperfeição que é perfeita.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Morte no surf

A comunidade do surfe acordou de ressaca hoje.

Primeiro a surpreendente notícia do falecimento do bodoso, que nos últimos tempos nem bodoso era mais. O cara vinha dando mostras de ter se transformado num sujeito extremamente boa praça e até venceu uma etapa do WT.

Andy Irons foi um daqueles personagens que conseguem marcar a história de um esporte. Ele não se limitou a vencer. Fez muito mais do que isto e por este motivo, quando nos deixa, causa muita comoção. Em meio a dezenas de notícias e opiniões, copiei esta, do Surfline, com um depoimento do careca, que faz a gente pensar: "Andy was an absolutely gifted individual. I'm lucky to have known him and had the times we had together. I feel blessed that we worked through the differences we had and I was able to learn what I'm made of because of Andy. We enjoyed many quiet times together with our girls in the last year and I got to know a happy, funny, innocent kid who was happy to live every second with the people he loved. I'm so sad..." Lê o resto aqui.

Mas estas notícias provavelmente você já leu aqui e ali. O que provavelmente você não leu, é que outro surfista, bem menos conhecido e muito menos famoso, também morreu. Só que ao contrário do tricampeão mundial, este morreu de um jeito bizarro, primitivo até: preso a uma rede de pesca!

É isso mesmo, estamos no século XXI, ano 2010 e no Rio Grande do Sul, feriado de muito sol, verão se aproximando, ainda existem assassinos instalando redes como se fossem arapucas, verdadeiras armadilhas humanas!

Esta é a 49ª morte de um surfista preso a uma rede, no RS. Nunca, em nenhum lugar do mundo, tantos surfistas morreram enquanto praticavam o surfe. Mesmo assim, este absurdo recebe menos atenção do que quando um tubarão arranha o braço de alguém, ou pior: na semana passada vimos ampla cobertura em todos os meios jornalísticos, inclusive no horário nobre do jornalismo brasileiro - no JN - a cobertura da tentativa de salvar duas baleias que haviam encalhado em dois pontos diferentes da costa brasileira. Toda uma estrutura foi deslocada para os locais: barco da Petrobras, biólogos, aparato das prefeituras....

Mas o que é isto??? Duas baleias recebem mais atenção do que seres humanos sendo pescados como se fossem peixes? Fico aqui pensando que talvez devamos torcer para uma baleia destas se prender a uma rede de pesca e morrer. Daí sim, e só neste caso, consigamos resolver o problema de vez, que é PROIBIR A PESCA COM REDES DE UMA VEZ POR TODAS!

sábado, 27 de março de 2010

Campeão fora d'água

Vale uma visita. E depois reflita: por que os outros ainda não fizeram isto?

Falem o que quiserem, até que o que ele tem é uma boa assessoria. Não vem ao caso. O fato é que o cara continua "não passando em branco" por aqui.

Enquanto uns e outros especulam sobre suas pranchas, vontade de ganhar um novo título ou até (pásmem!) quem é a gatinha que ele está pegando, ele se envolve num evento para levantar dinheiro para salvar uma praia. E arrecada 300 mil dólares!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A história por trás da porta


Primeiro eu encontrei esta foto no blogue do Maine. Achei fantástico, pois eu só havia lido sobre a história da foto original, quando se não me engano, aquela turminha do Careca lá no North Shore depois de beber todas no reveillon, resolveu ir surfar com uma porta.

Só que a pequena explicacão do Maine, mais o release que recebi hoje da ASP, simplesmente me obrigaram a ir o site da Sports Illustrated para ler tudo.

Se você é como eu e não se satisfaz só com as fotos, clica aqui para ler todo o artigo (em inglês).

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Como vencer o careca

Owen, faceirinho depois de vencer a sua bateria do Bells contra o Careca. Foto: Fergus Preston

"Jamais olhe ele no olho", disse Parko pro Owen Wright, quando este pediu-lhe algumas dicas de como competir contra o Careca. A história é engraçada, leia o resto aqui.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Achado


Num momento em que eu ando completamente sem tempo para surfar na internet, considero-me sortudo por ter encontrado este blogue hoje.

O autor, Lewis Samuels é o sujeito por trás do "Power Rankings" do Surfline. Mas como ele mesmo comentou, mesmo tendo muita liberdade para escrever e criticar o que bem entender, por motivos óbvios aqui e ali alguns dos seus artigos são editados.

Bem, não no blogue onde ele é o próprio editor. É legal ver várias postagens com as partes que ficaram de fora dos artigos publicados nos veículos em que escreve. Como a entrevista com o Careca ou a outra com o Taj.

Leitura obrigatória e imperdível.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Careca X Bodoso

Se é pra faturar com filmezinho, venda de revista e se é bom pros patrocinadores,
digam ao povo que somos irmãos desde pequenininhos! Foto: TSM

E você realmente acreditou naquela onda de rivalidade? Se deixou convencer pela rixa dos dois? Tsc, tsc, tsc....santa inocência Batman!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Aposta

"At the beginning of the year I told you I thought Jihad would do better then Heitor. (Sorry Heitor - I was wrong, and you’ve spanked me twice this year.) You’ve claimed your Tiago call many times over, and Heitor. Both great calls that I now totally agree with. Are there calls that you’ve made at the beginning of the year that you now see where way off? I bet that Jordy would win a contest this year."
CJ Hobgood no blogue dele, entrevistando Lewis Samuels,
o cara que escreve o Power Rankings, do Surfline.


Quando Mineirinho surgiu para o mundo, eu cheguei a apostar nele como um futuro campeão mundial. A maneira como ele tomou de assalto o WQS sem tomar conhecimento de ninguém, me enganou fácil.
Depois, examinando com mais atenção o surfe do guri e comparando-o com os resultados que ele estava obtendo no WCT, me decepcionei. Critiquei bastante a falta de linha, surfe de borda e afirmei que o seu futuro no circuito mundial estava com os dias contados.

Nem 8 e muito menos 80. O guri é, acima de tudo profissional. Quem não tem cão aprende a usar o que tem e corrige o que é possível ser corrigido. Mineirinho jamais vai ter a linha do Joel Parkinson. Tampouco vai cravar a borda como Bede Durbidge. Mas aprendeu a competir no WCT. Está usando a prioridade como ninguém e - observem - normalmente são dele as duas melhores ondas que entram na bateria. Numa competição onde o vencedor ganha no detalhe, ter a melhor tática faz toda a diferença. Ou alguém aí acha que o Careca apenas surfa melhor do que todo mundo?
O problema é justamente quando o detalhe favorece o outro lado. Acredito que o Mineirinho está onde merece: Top 10. Sem dúvida, é um dos dez melhores competidores do mundo. Mas toda a vez que ele competir contra os Top 5 vai sofrer. E na maioria das vezes, vai perder (como tem acontecido quando cruza com o Careca). Sabem por que? Porque mesmo que ele pegue as duas melhores ondas e mantenha a prioridade, o outro cara vai cravar mais a borda e vai desenhar a onda de forma mais suave do que ele. E os juízes do WCT tem o olhar apurado. Eles tem o replay, para ser assistido quantas vezes forem necessárias, antes de soltar a nota. E neste caso, apenas neste, o detalhe vai jogar contra o Mineiro.

Tudo bem, mas o que tem a ver a frase do CJ lá em cima com o Mineiro? Nada. Tem a ver com o Heitor. Na minha humilde opinião, trata-se do único brasileiro hoje, com linha e consistência pra enfrentar aqueles 5 que não vão perder pro Mineirinho.
E não estou sozinho com esta opinião. Tenho lido em diversos lugares - fora do Brasil - que o Heitor tem surfe pra chegar lá. Quem não se deixa impressionar por fogos de artifício ou aéreos 360, sabe que este cearense tem o algo mais. Não que ele não tenha o seu arsenal de confetes e serpentinas, mas isto ele guarda para a hora em que é necessário um último recurso - como naquela bateria (quase) perdida em Imbituba. Mas daí são outros quinhentos: era uma fechadeira de 2 metros. Um floater? Um reentry? Nada! Vai de voadeira mesmo!

Claro que ainda é cedo pra apostar e exigir qualquer coisa do cara. Mas teria sido a maior injustiça se ele não se reclassificasse. Tive o prazer de encontra-lo dentro dágua em Tramandaí, na semana antes do Natal (ele veio passar o final de ano com a família da noiva) e não resisti: remei até ele e lasquei: "fora o Careca tu és o único titular no meu Fantasy Surfer. E digo mais, com a tua linha de surfe, só não serás campeão mundial se não quiseres...". Ele ficou me olhando com cara de quem não entendeu nada e respondeu: "Eu preciso ganhar experiência..."

Tudo bem Heitor, tome o tempo que precisares, mas entende uma coisa: linha de surfe não se aprende. Ou se nasce com ela ou não. E isto tu já tens. Agora trabalha naquilo que te falta.

Minha aposta.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Bolido

Fórmula 1 do surf: a "Deep Six" do Careca e do Al Merrik. Foto: Surfline

Qual um carro de fórmula 1, a prancha do sujeito que vence tudo, tem que ter algo especial. Alguma curva diferente, um concave novo aqui, uma quebra na linha ali e até um outline meio esquisito. Alguma coisa diferente da prancha que está à disposição na loja ela deve ter.

Desde que eu vi o Careca surfando de 5'11" o Pipe Masters em ondas pesadas, estou com minhocas na cabeça. Digo isto porque antes dele começar a moda das pranchas estreitas e com espessura de pizza (lembram?) eu já incomodava o meu shaper com a idéia de que além do peso e altura do surfista, o tamanho do pé também tinha que ser levado em consideração. Eu defendia a idéia de que um sujeito com o pé 36,5 (meu caso) precisava fazer mais força para botar a prancha de borda do que o cara que calça 42. É lógico que jamais fui levado a sério e minhas pranchas seguiam com mais de 18,5' de largura. Minha salvação foi o surgimento daqueles modelos ridículos que só o Careca conseguia surfar. A partir dali minhas pranchas passaram a sair mais estreitas.

Agora, outra vez, o cara está virando o mundo do design de pranchas de cabeça pra baixo. Li no blogue do Stephan que a prancha que ele pretendia usar (no Pipe Masters) éra uma 5'3" e só não usou porque ela quebrou ao meio pouco antes do evento. Mesmo assim, naquelas condições, usar uma 5'11" é ridículo!

Fiquei impressionado. E curioso. Hoje, aproveitando alguns minutos de internet que a minha provedora de internet resolveu me "dar" (o sistema está completamente congestionado e não se consegue conexão aqui na praia), resolvi passear pelos blogues da vida e encontrei uma matéria sobre o design da nova fórmula 1 do surf. Clica aqui e vai no Sal pra seguir as pistas.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Nove

“My season is all about nines,” Slater said.
“Winning this event nine years later, I needed a 9th in the ninth event of the year
to win my 9th ASP World title, it's crazy." Foto: ASP

O mais incrível desta estória toda, é que o mesmo sujeito que apresentou ao mundo uma nova forma de atacar a onda, há pelo menos 10 anos, continua sendo o mesmo, ainda inventando maluquices (ou não), como surfar Pipeline grande e cavernoso numa 5'10" ou entubar de joelhos para encaixar melhor no tubo - não que ele fosse pequeno.
Grab rail? Lay back? Que nada, vai de joelhos que encaixa melhor! Foto: Surfline

Kelly Slater, "careca" para os íntimos (como você e eu), é um exemplo de superação, eficiencia, concentração e determinação. Ninguém, em nenhum outro esporte, jamais conseguiu se manter tão à frente do bolo como ele. E por tanto tempo. Assisti todas as competições vencidas por ele em 2008 e não tenho a menor dúvida ao afirmar: o sujeito nunca surfou tão bem como agora. Do jeito que a coisa vai, se ele quiser, o "dez" vem facinho, facinho.

Pipeline quebrou "daquele" jeito no dia da final. Marrom, lisa e cabulosa. Foto: Surfline

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Fala, enea!

Disco quebrado, coleção de troféus, diga lá: nem sei mais como ironizar esta cena. Foto: Surfer

Jake Howard, da Surfer, pegou o Careca ainda molhado (opa!), recém coroado enea campeão (alguém avise a mocinha do programa lá que é enea, com a sílaba tônica no primeiro "e", por favor) e fez as perguntinhas de praxe, inclusive aquela outra lá, sobre o 10 e tal...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Hot 100

Se seu surfe fosse sempre assim, montado na borda,
seria praticamente imbatível no WCT. Foto: Surfer


Já disse antes e repito agora: o guri está dando a volta por cima. Está compensando suas deficiencias com estratégia - muita estratégia - e já não é mais um azarão. Tanto que é o único a fazer companhia ao Careca como titular absoluto no meu Fantasy Surfer.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

9 chegando...

Clica aqui e lê (mas tem que ser hoje, porque amanhã esta postagem estará caduca).

Acrescento ao que não está escrito lá, o seguinte:

1) O careca não costuma amarelar em situações de pressão. E esta é uma delas;
2) Taj Burrow costuma amarelar em situações de pressão. E esta é uma delas;
3) Correndo por fora, temos o Mineiro, que mais uma vez dá pinta de chegar à zona do agrião;
4) Vale a torcida pro Pedra, ele merece.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

E ninguém tira este disco da vitrola!!

Frieza, determinação, qualidade, linha, surfe moderno e veloz, competência, competitividade, senso apurado para escolher a onda certa e muita, mas muita sorte. Estes requisitos e mais uma lista interminável fazem deste sujeito um perfeito animal competitivo. E um baita surfista. Nós surfistas estamos bem representados pelo Sr. Robert Kelly Slater. Foto: ASP

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Ok, eu me rendo!

O guri despachou os locais do pico pra seguir em frente. Foto: ASP

Quando o guri surgiu, eu juro que acreditava num futuro campeão mundial. Ele demonstrava aquela gana por vitória que só os campeões tem. Conquistava troféus como se fosse fácil. Bem, para ele, provavelmente era.

Daí, com esta naturalidade, classificou-se para o WCT vencendo o WQS com sobras. E já na primeira etapa, em Snapers, tirou um terceiro. Pronto. Tudo se confirmava, pensei eu, junto com meio mundo.

Ledo engano. O estilo estranho (caranguejex, de caranguejo) e a falta do uso das bordas comprometeu e o guri começou a despencar ranking abaixo. No ano passado, safou-se (classificando-se para o WCT via WQS) por pouco: venceu duas etapas de WQS, aos 45 do segundo tempo, em ondas ridiculamente pequenas. Que sortudo, pensei, arranjou duas etapas com ondas que só ele consegue surfar e está lá outra vez.

Mas a história reservou uma surpresa: o guri está dando um jeito de driblar a deficiência no estilo e na surfe "boardless" com uma estratégia de competição que talvez só perca para o careca, senhor todo poderoso das competições.

Tem competido de forma impecável e a sua primeira vitória no WCT, arrisco, é uma questão de tempo. Pouco tempo. E o release da ASP, que normalmente é resumidíssimo, mencionando apenas a "panela", já não se permite mais este direito. O guri virou figurinha fácil nestes textos:

"Brazil’s Adriano de Souza, who sits 4th on the ratings, continued his roll to take out South Africans Jordy Smith and Travis Logie today. 'I can't believe I won that heat,' de Souza said."

“To have two South African guys in my heat was really hard, they know this spot well. I was sitting out back waiting for the bomb and I got it and got a 9.00 which gave me the confidence to win the heat and beat Jordy. I've been on tour for two years, so I have more experience and I think that is how I won the heat.”

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Ponto de vista

Minha prancha até pode não ser igual a dele,
mas o meu computador é! KS redigindo a sua análise sobre o que
rolou em Bells. Foto: ASP

Eu já sugeri aqui o blogue dos caras. Se vocês tem visitado lá, desconsiderem este post. Mas se, como eu, por falta de oportunidade ou tempo não tem ido lá, eu publico aqui um pedacinho do post do careca, sobre a semana em Bells e, principalmente, uma análise do dia final, a partir do ponto de vista de quem correu as últimas baterias do dia.

Ele escreveu assim:

"Had a great finishing day but was really tired towards the end of four heats that day. Lots of paddling and work but all good in the end. Was looking to have a better battle with Andy who never got in sync with the waves unfortunately. Hobgood gave me a really great run and I narrowly squeaked that one. Taj wasn’t in top form but you always expect him to flair up but the waves didn’t let us in the semi. Bede had me on the ropes but let me surf alone at Rincon and I got one of those waves I spotted earlier in the heat. That about wraps up my week and a bit there. Off for some free time for a while. Take care. Thanks for tuning in here."

Lê o resto aqui.