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sábado, 7 de julho de 2018

WSL - JBay

WSL - FCS2 (Por Renato Ferreira Sachs)

Podemos analisar esta etapa em 3 aspectos: Parko, Toledo e Campeonato.

1- A Aposentadoria de Parko, sufista que junto com seus 2 camaradas de Coolangata (MF e Dingo), surgiram de uma onda feita pelo homem, desafiaram o reinado de um certo Rei (Slater) e seu Príncipe (Andy), o grupo unido desde pequeno como amigos, trouxe velocidade e alta performance para ondas de um suposto circuito dos sonhos. As pranchas evoluíram pelos pés destes camaradas, quilhas avançaram absurdamente para acompanhar as performances, treinamento físico incondicional e a parte tática estava no dna. Parko que junto com outro Rei (Curren) foi um dos maiores e mais copiados surfistas da história, a fluidez aliada ao balanço do corpo sobre a prancha é algo maravilhoso de se ver. A geração de velocidade é natural, aquele velho jargão: Parece Fácil.....mas acreditem não é... tem um currículo em competições que o coloca no panteão dos melhores surfistas competidores da história do surf. Assim como acontecerá com MF, sentiremos a sua falta. Mas temos Toledo!!!

2- A onda de Jbay pode ser comparada a uma Trestles anabolizada algumas vezes. Assim partimos do princípio de que quem treina numa saberá surfar a outra....e quando digo surfar, estou falando em demostrar todas as suas armas. É uma onda em que todos os seus predicados aparecem, quase um livro aberto, onde qualquer erro no controle da velocidade pode ser fatal, ou seja, para nós meros telespectadores fica fácil de saber quem é o melhor surfista por bateria, porque não se pode mascarar. Portanto o melhor surfista ganhará. Isto é fato e não tem negociação. Se Toledo foi majestoso no ano passado numa das melhores apresentações que o tour já assistiu, imagina agora, evoluido e conhecedor do caminho da vitória. Coloca-lo como principal candidato a ganhar esta etapa é uma obrigação, com ou sem tubarão, de base trocada, deitado, o que for!!! Toledo é o melhor surfista do planeta junto com GM. Suas performances em todos os 4 dias da competição foram estarrecedoras. O silêncio no palanque era de assustar, somente suspiros, todos imaginando: que perda de tempo seria ficar toda a janela de competição sabendo como seria o fim, exceto pela honra de fazer parte da elite e surfar sozinho uma das 3 melhores ondas do mundo sozinho. Qualquer atleta deve suar sangue quando tem que encarar um monstro de 60kg, que motivado pela sua família e suas pranchas mágicas, não tem um único objetivo a não ser conquistar o Título Mundial de Surf.

3- Podemos dizer que o modelo de campeonato que nós tivemos poderia ter alguns pequenos ajustes. A etapa foi espetacular, com pequenos vacilos, mas tudo dentro da normalidade de entendimento da natureza, aliada à visão de não misturar as 2 divisões: masculino e feminino. Seguem algumas observações e para não deixar de apontar os erros, vou descrever alguns que realmente achei muito escancarados:
- O primeiro call do round 1 foi precipitado;
- Jesse ganhou do Mickey que, como sempre, não nos mostra nenhuma inovação nas suas manobras e ainda sim me pareceu com velocidade abaixo da média. Jessé foi muito preciso e arriscou, mas tem a desvantagem de não ser "tão amado" pela turma do segundo andar...;
- Por que as moto aquáticas não estavam resgatando os nossos camaradas quando as pranchas quebravam ou leashes estouravam? Muita perda de tempo em um point break imenso;
- A equipe de proteção da vida marinha foi espetacular, cuidadosa e precavida, o oeste australiano tem que aprender com os irmãos sul africanos sobre como regular o line up e principalmente sobre quando invadi-lo ou não; 
- O round 3 foi especial para sabermos que a etapa seria definida entre Toledo e Gabriel, mas houveram 2 baterias do Julian no round 3 e 4 que entrei em desespero, ele não surfa como candidato ao título e muito menos como top 5. Fica escancarado a ajuda do segundo andar para ele, me sinto como se não entendesse nada de surf e somente a turminha de cima sabe o que faz ou o que diz...mas estão errados e não assumem o erros. As vezes parece uma luta de boxe, onde tu pode apostar as fichas no campeão que mesmo apanhando durante os 10 rounds, se não cair, vai ganhar....Viva a bolsa de apostas!! Ídem a nota do Japonês que, sinceramente, não chegou nem perto das notas dos meus 2 heróis. Alguém viu o tubo do Jordy contra o Thomas? Manobra enaltecida como se fosse algo maravilhoso, mas ficou um tempo somente na "porta"...Por que tiraram o comparativo ao vivo das ondas? Não querem mostrar as dificuldades em julgar, até o futebol avançou neste quesito, e quando falo Futebol, falo de um esporte 1000 vezes maior que o surf em termos de retorno $$$$;
- Ídalo e Bourez não podem se dar ao luxo de fraquejar nos primeiros rounds se almejam o caneco no final do ano;
- Kolohe e Ace estão surfando muito, Kolohe esta querendo algo a mais, parece que reascendeu uma chama do tempo do QS. Coffin de quem era esperado um surfe de borda e arcos longos, seguiu o caminho burocrático e abdicou de ambos, deixando a desejar nas suas apresentações;
- As táticas de bateria aliadas às escolhas de equipamento, vide pranchas e quilhas, foi de extrema importância. Houve momentos do mar em que a onda pedia pranchas que fossem mais verticais e outras vezes velocidade na paralela ou o famoso "down the line". Os atletas ficavam esperando pelas ondas certas ou abdicavam, pois sabiam exatamente o que as pranchas executariam, ficou fácil de ver os erros nas escolhas das manobras pela maioria dos atletas: os mais inteligentes atravessavam estas correções com velocidade, pois sabem gerar velocidade e retomar a mesma em transições de borda e fundo como somente eles, são mais equilibrados ou fluidos. Nesta hora o casamento arranjado que tenho visto de surfista x shaper tem sido de suma importância. A confiança entre criador e atleta eleva o nível de performance, sem que o atleta tenha medo de arriscar. O exemplo a ser analisado é do Parko, o mesmo optou por uma quilha com mais torção e flexibilidade, significa que ele entrava nas curvas de início de manobra com muito mais verticalidade e explosão, fazia o controle na transição e retomava a velocidade. Podem reparar que sempre no terço final da manobra a rabeta da prancha reagia de outra forma como não é costume nas suas performances;
- Tem 2 camaradas que vou parar de acompanhar nas etapas, Alejo (QS) e Michel Rodrigues. É muita sofrência, o coração perde o compasso, amo estes camaradas, mas a dor de torcedor é muito grande, vou dar um tempo!!!
- Alguém abriu os cofres para o Wade? Ele não precisa provar nada, porém ficaria mais feliz com um pouco de dimdim na conta.
     
            Chegamos a metade do ano competitivo, difícil de prever o que acontecerá, mas o segundo semestre sempre foi generoso para os brasileiros. Julian e Jordy não tem competitividade para serem líderes do circuito, GM pronto para o Bi e Toledo pronto para o primeiro, somente algo fora da curva para tirar o título de um dos 2 melhores surfistas do Planeta.

domingo, 3 de junho de 2018

WSL - Keramas

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em pé
Mais um pódio verde e amarelo pra conta de 2018

WSL - Bully´s (Por Renato Ferreira Sachs)

Ídalo....Ídalo....porque começaste o evento que traria o Surf de volta para um dos melhores arquipélagos do Planeta com o pé esquerdo? Tu já sabia que iria terminar da mesma maneira? A troca de direção não seria somente no trânsito local, mas também na perfórmance (a última onda surfada por ele como regular é melhor do que qualquer onda surfada por mim).
Estamos celebrando o retorno da Indonésia com uma festa espetacular. Mesmo do lado "errado" da ilha (temporada ideal para Keramas é no segundo semestre), as doses homeopáticas diárias no horário nobre da tv me fez delirar com os meus heróis nas melhores condições possíveis, começando com tubos e acabando no ar.
Começando o show, 2JJF teve um wake up call, nos chamou a atenção com a sua brabeza, com as condições no momento de 5 a 6 pés, período alto a estratégia se tratando de um lugar maravilhoso é a básica: espera a bomba que ela virá, mesmo sem a prioridade tu tem a oportunidade de fazer a nota.
Mas a natureza começou a dar sinais que a festa seria diferente, a gigante Surfline começou a se preocupar, porque ao contrário, o site concorrente Magicseaweed mostrava a realidade nas suas previsões. Gabriel ganhou a bateria com um total de 5.60 e acabamos tendo o pior round 1 do ano até agora. Os somatórios foram desesperadores.

Jordy surfava como se estivesse em Trestles, Joan Duru com a sina de ter o quarto melhor somatório, mas não suficiente para passar de fase, e as condições se deteriorando, estamos na Indonésia, a janela de espera é grande, para tudo e recomeça nos próximos dias....
Pausa obrigatória: FIJI estava GIGANTESCO e PERFEITO, Kelly Mal Educado Slater, já estava havia 2 dias na ilha do amor esperando o swell mágico, claro que avisou os seus lacaios em cima da hora para chamarem um alternate....todo o planeta sabia que Cloudbreak estaria maravilhoso entre os dias 25/05 até 20/06, era só olhar os campeonatos anteriores, é a janela mais fácil do calendário, podem marcar as passagens para 2019 que estará lindo de se ver.
Round 2 na água com Toledo e Ídalo nos dando dor de barriga, Kolohe deixando passar a onda salvadora e vendo o Mickey se divertir, os tubos começaram a sumir, Ian me pareceu com uma prancha um pouco longa de mais para as manobras que o mar pedia, coisa que o Wilko soube analisar e executar umas 10 vezes por onda no sentido 12 hrs. Jesse estava mostrando as suas garras, Ezekiel, cruz credo, o que ele fez com a coitada da direita, o havaiano peso médio abriu a onda em 2 partes. Rodrigues x Yago 10 ondas contra 7 surfadas no total, contagem absurda de ondas, briga aberta, alta performance e fome estavam de mãos dadas, Yago se tivesse forçado um pouco mais o pé de trás teria notas melhores....Thomas sendo Thomas, veloz, preciso e bordas alinhadas, um dos poucos a saber a utilidade das quilhas de fibra de vidro, controle e força trazendo equilíbrio para o seu corpo.
Round 3, Jesse foi para as alturas e desferiu um 9 contra o 2JJF, o mais assustador não foi o momento da manobra, mas a linguagem corporal do Paulista achando que não tinha ganhado a nota, coisas obscuras no mundo do julgamento. Eu amo Bourez, o Willian sem a prioridade achou uma onda intermediária e usou tanta força que mandou a mesma de volta ao lugar de origem. Owen ganhando 5.17 por um "não tubo", vai entender...A falta de vontade do pessoal do segundo andar em soltar as notas com os camaradas de pior ranking é algo digno de estudo. Mickey e Colapinto estragando a festa de alguns. Gabriel brutal, muita, muita força e flexibilidade, as pranchas dele são uma extenção natural dos seus desejos. Mineiro x Parko, o 7.73 do brasileiro foi de uma violência sem precedentes, já o 7.53 do australiano, muito bem surfada, 5 manobras, mas parecia que eu tinha voltado aos anos 80. Pior ainda se compararmos o 7.77 para o Tubo e 2 rasgadas absurdas do Flores, então vem o Jordy, coloca os pés na prancha, tubo + rasgada + estilo e ganha um 9.43, tudo desproporcional no segundo andar.
Round 4 o mar continuava dos sonhos, quando os 2 melhores brasileiros do evento, Ídalo (80 % da sua forma) e Toledo (70 % da sua forma) surfariam juntos, mas graças a Deus os 2 teriam chances de passar para o próximo round. Nesta bateria achei que o Mineiro precisaria achar uma maneira de jogar mais água para o céu, assim chamaria mais a atenção. Kelly Mal Educado Slater não estava fazendo falta!!! Bourez quebra a sua prancha mágica (melhor prancha que teve na vida, segundo as suas palavras), suas atitudes davam a entender que tinha perdido um parente próximo, fiquei me perguntando: as Firewire não são construídas em uma linha de produção onde todas são idênticas? Pelo jeito não...O tempo foi passando e garfearam o maior mamífero do tour, tudo conspirando para o wild card permanente e novato do Clã Wright, logo em seguida, como se não bastasse anabolizaram a primeira onda a favor do Jordy contra o Toledo, que claro se desmotivou.
Ídalo é o aluno que todo mestre gostaria de ter: disciplinado, carismático e um dom fora do normal, o Pinga deve falar: bate 5 vezes na onda de um jeito que as pernas irão pegar fogo, quando der sai voando, mas não baixa de 2 metros de altura, repete em todas as ondas, escutou? Como se não bastasse ele faz tudo que o técnico pediu e acrescenta o modo perfeição, é de uma delicadeza e força no seu surf que ninguém consegue entender. Já que a Billabong apostou no guri, aproveita e abre o cofres, investindo no seu Shaper, o T. Patterson, fabricante da velha guarda de San Clemente, a água da região é muito boa, só tem peso pesado quando o assunto é prancha boa.
Quanto ao troféu precisaríamos de um texto a parte, só posso dizer que roubaria, mataria, esconderia a parafina do concorrente para ter a oportunidade de ter um trófeu destes. Empata com o antigo chapéu de Samurai do Pipe Master.
Vamos celebrar a Indonésia, nós surfistas sonhamos e sabemos que temos 2 templos sagrados: Hawaii e Indonésia, o Tour ficaria lindo, divertido e progressivo com mais etapas por lá, poderiam fazer que nem o BWWT, quando tiver ondulação chama todo mundo, ninguém vai deixar de aparecer no line up.
Pergunta que não quer calar: Quem pagou a conta da Etapa de Uluwatu? continuação da etapa de Margaret River, foi dinheiro do Governo Australiano? Pois as garantias para realização do evento sempre são pagas com meses de antecedência e este evento foi anunciado faz 2 meses...

domingo, 27 de maio de 2018

WSL - Saquarema

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Voa Toledo!

WSL - FCS2 (Por Renato Ferreira Sachs)
Nós amamos Saquarema. Tudo conspirou a favor quando a Mãe Natureza soube que o Rei de Pipe, Gerry Lopez, estaria no Brasil, mas precisamente na semana do CT.
Estávamos passando por um outono normal com poucos ventos do quadrante sul até o Rei colocar os pés no Brasil e as previsões começaram a mudar de figura, ganharam força e pressão para num futuro próximo se transformar no que viria a ser: O melhor CT da história no país. No canto direito da praia de Itaúna, uma direita que já existia, poderosa e limpa, mas com o ajuste do homem ganhou qualidade. Aliada a ondulação que estava chegando, nos apresentou mais uma onda de nível internacional e pasmem na mesma praia. O canto esquerdo já é digno de sonhos, o direito mais perto dos pesadelos para nós meros mortais. No Brasil já seria uma raridade termos este tipo de onda, imaginem 2 ondas poderosas na mesma praia!!! Teríamos o trabalho facilitado dos canais de previsão de onda em conjunto com a direção de prova, pois teríamos sobra de ondulação, só precisando ajustar aos horários dos ventos.
O evento começou com o power do Toledo (usando rabeta swallow em sua prancha), Pupo surfando com inteligência derrubando Smith, o mar começou a ganhar tamanho e força, ficando nervoso, as emoções começaram a aparecer, as variações de leitura de onda em condições poderosas trazem muito mais emoções do que 20 manobras iguais em uma onda perfeita. O 2JJF esta me preocupando, queremos ver show e o surf esta lá, mas escondido, não poderia usar a desculpa da onda ser ruim, pois praticamente estava em casa, a única mudança seria a troca da cerveja por caipirinha. Gabriel surfando com muita fluidez e velocidade, a contagem de onda em beach break foi absurda. Adriano estava muito fluido e com a força habitual, estava com saudade de assistir o camarada. Colapinto tem uma precisão de assustar. Alejo e Panda trouxeram toda a experiência para o line up, sabem jogar o jogo e muito bem. No quesito nota 10, Ian Carrol Gouvea pegou um dos melhores tubos do evento e finalizou a onda de uma maneira extremamente violenta, uma batida em 2m de junção que poucos sobreviveriam aquela força.
O Oceano apresentava as mudanças de humor corriqueiras, foi muito bom ver e aprender com as estratégias, a paciência se transforma numa palavra extremamente importante, pois ela deve ser usada no tempo certo, os atletas não escondiam o jogo, que era limpo, claro e objetivo. Os tubos estavam presentes. A inteligência usada nas escolhas das manobras para o encaixe certo foi de um grau impressionante, muitas vezes as manobras foram conservadoras, mas precisas. Um exemplo foi a bateria do Sebastião x Duru, acredito que tenha sido uma das melhores do ano e resume bem o pensamento acima. Os rounds foram passando e não posso deixar de falar sobre o melhor aéreo já executado na história do Surf. Toledo se projetou de uma maneira assombrosa e perigosa, sobre um vôo extremamente longo, acho que ficou mais tempo no ar do que nos tubos. Difícil alguém no planeta superar o feito do camarada que mais que ninguém deixou claro naquele momento que é: O melhor surfista do planeta e esta pronto para o título mundial. O progresso esta chegando pela sua cabeça e pés. Todas as vezes que ele sobe na prancha não sabemos o que vem pela frente, cabe a nós espectadores controlar o coração, sentirmos a adrenalina correr pelo corpo e trancarmos o ar, pois a porrada é grande, seja no ar ou na água. Ele ganha os eventos que quiser, claro que tem sempre um outro camarada querendo o título também, desta vez foi Wade, o rookie peso pesado, escola power australiana que tentou, chegou com as melhores credenciais possíveis a final, muito surf, pouco dinheiro e pouca bagagem/badalação, mas suficientes para causar o estrago que causou durante o evento. Mas num tubo nota 10 Toledo fechou a conta e foi para casa com a vice liderança do circuito.
As pranchas Sharpeye do Toledo estão cada vez mais se transformando numa extensão do seu corpo físico e mental, pode quebrar quantas forem que os backup´s são tão bons quanto as anteriores. A ligação shaper x surfista esta muito nítida. 
2 comentários breves:
- Começarei a assistir a transmissão em português, pois Neco Padaratz participará das mesmas;
- Até o (site) gigante Surfline sucumbiu a Saquarema falando que a mesma era melhor que a piscina, quem não sabia?

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Surf Sintético


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Adicionar legenda














WSL/Cloro - FCS2 (Por Renato Ferreira Sachs)
O Surf é imprevisível e não podemos controlar o ambiente natural que cercam as ondas. Podemos sim nos adaptar, nós temos pelo menos 3 sites de previsão de Surf que nos ajudam e muito aumentando o nosso grau de acerto para os melhores dias. Nestes casos viajamos algumas horas, esperamos o dia certo, dor de barriga na noite anterior que precede um dia de boa ondas, acordar cedo, chimarrão no ponto e festa. Todo este ritual na minha praia amada ocorre poucos dias durante uma semana, então o gosto pelo momento se torna maior. Toda esta vivência não tem como ser mensurada. simplesmente não tem, desculpem aos outros esportes, mas somos arrogantes e prepotentes por natureza.
                    
Não coloquem a piscina como uma opção de "Surf", o Surf é feito e praticado no mar, com interferência da mandatária maior, a Natureza. Temperatura do ar, direção dos ventos e ondulação, localização das tempestades, são apenas alguns dos elementos que nos movem como uma tribo.
Fiquei me perguntado durante os 2 dias do evento o que seria mais divertido: colocar todos atletas num avião partindo para Fiji, México, Chile ou Africa para assistirmos pela internet, (sim internet, somos percursores neste assunto) os camaradas surfarem de verdade ou nos submetermos ao controle de tempo e horário impostos pela TV Aberta, para nos transformarem no que nós não somos.

Podemos ficar discutindo durante anos o que esta por vir no quesito: Surf Sintético. Algumas sugestões de pautas:
- Qual será a sua influência nos próximos anos? Olimpíadas: nunca precisamos dela para existirmos ou vivermos. A não ser que tu queira controlar o ambiente e ganhar dinheiro. Olimpíadas de inverno existem para os esportes de inverno. O Surf também tem a sua melhor estação no calendário. No caso do Japão como país sede em 2020 e os próximos jogos, qual será a escolha: O Japão que tem centenas de ondas boas ou Piscina? Hossegor ou Piscina? Trestles e Pipe ou Piscina? Esta discussão não esta na nossa alçada, só podemos discutir nas rodas de chimarrão. O meu pensamento e objetivo seriam levar a experiência do surf para lugares sem onda, assim, propagaremos o nosso estilo de vida.

- Campeonatos válidos pelo circuito serão tão divertidos assim? No formato deste evento, sinceramente, achei muito monótono se nos basearmos pelo primeiro round. A pior parte foi o intervalo entre as ondas que a WSL não soube nos entreter, foram muito fracos e repetitivos. Se superaram, pois tinham as principais figuras da industria e não souberam vender o peixe...

- Julgamento? poderiam ter sido mais audaciosos já que era um evento teste e colocado 5 ex surfistas profissionais num painel paralelo, perderam a chance de aprender de como um surfista profissional analisaria, principalmente as ondas do General Gabriel de como se entuba de backside em mini tubos, poderiam ter dado nota 12 pelas últimas ondas. Mas não, prefiram o Jordy e Kanoa alisando toda a extensão da onda ( cerca de 700 metros) para um aéreo medíocre no final. Coisa que o Toledo fazia no início da onda. Fora a última onda do Kelly que foi a melhor que eu vi dele nos últimos anos em competição e os caras não abriram a nota. O 2JJF apareceu???

- Teremos mudança nas manobras? Não vi nada de novo, ao contrário, repetiram mil vezes as rasgadinhas de fundo de prancha numa onda sem força na base. O Bourez na sua primeira onda para esquerda foi o primeiro a bater reto. O Mineiro não soube surfar para a direita. Alguém surfou de base trocada?

- Pranchas e equipamentos: As partes mais importantes do evento, tão valiosos e pouco relacionadas as performances amadoras que vimos neste primeiro evento. Observei que poucos atletas foram audaciosos e saíram da zona de conforto buscando algo a mais, alguns escolhiam pranchas diferentes para cada tipo de onda, posições de quilhas alternadas, mas em si poucas alterações, inclusive na primeira onda do domingo nós vimos o Tom Curren cair da prancha do Kelly, eu acho que nunca tinha visto o Curren cair de alguma prancha, mas era da marca do Kelly, era melhor ele ter surfado de sonrrizal.....
               
Quanto a Copa que nós vimos, reparamos que todos os convidados se divertiram e beberam, e muito (como em qualquer evento), todos acharam pequenas variações nas ondas, na maioria das vezes a esquerda gorda era maior que a direita tubular. Porque um jetsky gastando gasolina se poderia ter um teleférico? Se me perguntarem: Este é o futuro do Surf competição? Responderei que neste formato acho impossível, não quero voltar aos anos 80.
Quero G-Land e Fiji!!!! Prefiro a imperfeição que é perfeita.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Gabriel Medina - nosso messias

Medina dando um nó com as pernas para dar um nó em CJ. Foto tirada daqui.

"Gabriel was not in any way nervous. It looked as if his competitive circumstances made no difference to him. None of the elements, nor his enemy, had any effect on his courage, passion or reflexes. He went above the lip on his first wave, pumping once very quickly to get down the line, almost catlike, and very lightly, turns the middle axis of the board on the lip. His fins burst free and he maintained a natural follow through spinning in the whitewash. On another wave he pumped quickly and set a line, which ended in a large, hands-free, backside air reverse. That particular wave was underscored but a next wave was over-scored and Gabriel Medina defeated CJ Hobgood."

O resto do artigo do Charlie Smith pode ser lido aqui no site da Stab.



segunda-feira, 1 de junho de 2009

O homem que salvou o surfe profissional

Mano Ziul ou Manoziul? Foto: ESPN

O blogue dos imãos Hobgood é um endereço obrigatório para quem procura diversão, informação, abobrinhas e coisas do gênero do meio surfístico internacional.

Vai lá e dá uma olhada na série de vídeos que eles fizeram durante o WCT de Teahupoo. Comédia total.

Só que agora o Cidiei começou a levar esta estória de blogueiro misturado com reporter a sério. Acaba de inaugurar o trabalho de jornalista na ESPN com uma entrevista bem interessante com o brasileiro à frente da Beach Byte, responsável pelas transmissões via internet e pelo sistema de notas do ASP.

Clica no título para ler a entrevista, em inglês.

sábado, 2 de maio de 2009

domingo, 8 de março de 2009

A vez das mulheres

Lá vão elas mostrar como se faz. Foto: ASP

Guardei esta imagem com a intenção de escrever aqui sobre um fato que tem me impressionado. Só que - você já leu isto antes, aqui - na correria do dia a dia acabei não conseguindo escrever o que pretendia.

Mas hoje, domingo, dia 8 de março, aproveito pra unir o útil ao agradável: homenageio as mulheres no dia internacional delas.

O que eu queria escrever, é que a cada evento feminino do tour, eu fico mais impressionado. Não bastasse aquela onda da Silvana no primeiro round, com uma batida/aerial muito fluida, na linha e sem mão na borda, ganhando a sessão adiante na rápida onda de Snappers, depois assisti a Steph Gilmore rasgar do início ao fim uma onda em D'Bah como se fosse qualquer um dos top 44.

Sou do tempo que assistir o evento feminino era a coisa mais chata que existia. Na real, as meninas sempre eram escaladas para surfar na pior hora do mar (ainda são?) não por discriminação, mas para evitar que boas ondas fossem literalmente desperdiçadas com surfe lento, feio e duro.

Não mais. Se você ainda não passou a acompanhar o surfe feminino do tour, ainda está em tempo. Tem muita bateria feminina dando de dez em algumas masculinas.

Parabéns mulheres!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Entenda o coelho

Bugs. Foto: Surfer

Ok, todo mundo já sabe que Wayne Bartholomew não é mais "o cara" da ASP. Mas você sabe quem foi este cara, ou o que ele já fez? Dá uma olhada numa retrospectiva fotográfica dele, clicando aqui e entenda o que há por trás da sua saída, clicando aqui.

Este sujeito era um dos heróis da minha época. Não fosse a superioridade competitiva do Mark Richards e a eficiência do Shaun Tomson e provavelmente este teria sido meu ídolo.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Nove

“My season is all about nines,” Slater said.
“Winning this event nine years later, I needed a 9th in the ninth event of the year
to win my 9th ASP World title, it's crazy." Foto: ASP

O mais incrível desta estória toda, é que o mesmo sujeito que apresentou ao mundo uma nova forma de atacar a onda, há pelo menos 10 anos, continua sendo o mesmo, ainda inventando maluquices (ou não), como surfar Pipeline grande e cavernoso numa 5'10" ou entubar de joelhos para encaixar melhor no tubo - não que ele fosse pequeno.
Grab rail? Lay back? Que nada, vai de joelhos que encaixa melhor! Foto: Surfline

Kelly Slater, "careca" para os íntimos (como você e eu), é um exemplo de superação, eficiencia, concentração e determinação. Ninguém, em nenhum outro esporte, jamais conseguiu se manter tão à frente do bolo como ele. E por tanto tempo. Assisti todas as competições vencidas por ele em 2008 e não tenho a menor dúvida ao afirmar: o sujeito nunca surfou tão bem como agora. Do jeito que a coisa vai, se ele quiser, o "dez" vem facinho, facinho.

Pipeline quebrou "daquele" jeito no dia da final. Marrom, lisa e cabulosa. Foto: Surfline

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Exclusivas de Mundaka


Meu amigo Rodrigo, o BT, mudou-se para a Espanha no início deste ano. Antes de ir, estava com dois corações. Sabia que tratava-se de uma espécie de "up grade profissional". Ia assumir um posto importante dentro da empresa. Além disso, seus dois filhos teriam a oportunidade de crescer na Europa, fora, claro, o conforto para toda a família, de viver no primeiro mundo.

Mas por outro lado, estavam deixando para trás amigos, a convivência social, familiar e para o BT, a possibilidade de surfar com a turma.

Bobagem. De lá pra cá, ele só tem mandado notícias fabulosas. Nunca surfou tanto, tantas ondas boas. Final de semana fora de casa para a família, ora é em Londres, ora em Dublin. Os filhos estão super bem ambientados, na escola e na vida social e o melhor de tudo, é que eles descobriram que quando a saudade aperta, o Brasil nem é tão longe assim. E para nós, a Espanha nunca esteve tão perto.

Já estou acostumado a receber seus surf reports e várias fotos que chega a dar nojo. Como Mundaka é muito perto de onde mora, Bilbau, o BT deu um pulinho no WCT e providenciou este depoimento e fotos, exclusivo para o blogue:


"Seguem fotos do campeonato em Mundaka. Assisti a bateria do Adriano com o JP, estava vendo o mar desde 1,5 horas antes da bateria iniciar, inclusive o Occy estava na água, e posso garantir-lhes o Adriano não queria ganhar ou errou completamente a estratégia. Em primeiro lugar, estranhei ele entrar de round pin, acho que era o único com esta rabeta, mas é um assunto que domino muito pouco.



Mas estava vendo o surf e as ondas que tinham e a impressão que fiquei é de que ele estava esperando por uma onda que não existia, pelo menos não naquela manhã. Não bastasse isso, quando disseram para os surfistas irem para a água que a área estava limpa, o JP já estava entrando e o Adriano entrou somente uns 15 minutos depois.



Acontece que o JP já tinha pego umas 5 ondas enquanto o Adriano remava até o pico e isso fez com que ele conhecesse as ondas. Quando o Adriano chegou no pico, começou a bateria. A primeira série veio perfeita para ele, e era igual às melhores que eu estava vendo desde as 9h30, mesmo assim ele não foi e deixou o JP tirar um 7 e pico, depois ele voltou para o pico e quando entrou a próxima série, com prioridade para o Adriano, mais uma vez ele deixou passar e mais uma vez o JP pegou uma boa esquerda e pontuou 6 e pico, daí o tempo foi passando e ele foi pegar sua primeira onda quando faltavam menos de 10 minutos para terminar a bateria. Daí ele já estava na Kombi... Larguei de mão e me toquei para Biarritz.

Um abraço, BT"

Fala, enea!

Disco quebrado, coleção de troféus, diga lá: nem sei mais como ironizar esta cena. Foto: Surfer

Jake Howard, da Surfer, pegou o Careca ainda molhado (opa!), recém coroado enea campeão (alguém avise a mocinha do programa lá que é enea, com a sílaba tônica no primeiro "e", por favor) e fez as perguntinhas de praxe, inclusive aquela outra lá, sobre o 10 e tal...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Hot 100

Se seu surfe fosse sempre assim, montado na borda,
seria praticamente imbatível no WCT. Foto: Surfer


Já disse antes e repito agora: o guri está dando a volta por cima. Está compensando suas deficiencias com estratégia - muita estratégia - e já não é mais um azarão. Tanto que é o único a fazer companhia ao Careca como titular absoluto no meu Fantasy Surfer.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

9 chegando...

Clica aqui e lê (mas tem que ser hoje, porque amanhã esta postagem estará caduca).

Acrescento ao que não está escrito lá, o seguinte:

1) O careca não costuma amarelar em situações de pressão. E esta é uma delas;
2) Taj Burrow costuma amarelar em situações de pressão. E esta é uma delas;
3) Correndo por fora, temos o Mineiro, que mais uma vez dá pinta de chegar à zona do agrião;
4) Vale a torcida pro Pedra, ele merece.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Iutubi oficial do surfe

Segundo o e-mail que eu recebi da ASP hoje, foi lançada oficialmente a página da entidade no Youtube - "o único lugar na internet onde todos os melhores momentos de todas as competições oficiais poderão ser apreciados"...

Clica aqui e vai lá conhecer.

domingo, 14 de setembro de 2008

Backstage

Sunny Garcia tentando fazer o que não conseguiu dentro d'água. Foto: Steve Sherman

Para ver algumas fotos do evento em Trestles totalmente diferentes daquelas que você já viu e ainda vai ver várias vezes em todas as revistas e sites, clica aqui.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

E ninguém tira este disco da vitrola!!

Frieza, determinação, qualidade, linha, surfe moderno e veloz, competência, competitividade, senso apurado para escolher a onda certa e muita, mas muita sorte. Estes requisitos e mais uma lista interminável fazem deste sujeito um perfeito animal competitivo. E um baita surfista. Nós surfistas estamos bem representados pelo Sr. Robert Kelly Slater. Foto: ASP

domingo, 7 de setembro de 2008

Meia boca!

Não rolou por falta de ondas.....o quêêêêêê....??!! Foto: ASP

Estava contando os minutos para o início das corridas em Trestles. Domingão frio pra burro, vento sudoeste assoviando nas janelas viradas para oeste aqui no sétimo andar, não havia programa melhor do que sentar em frente ao computador com um saco de pipocas e uma guaraná.

Só que não rolou. Segundo o diretor do evento, Mike Parsons, apesar de estar rolando uma brincadeira, os próximos dias prometem ser muito melhores....

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Ok, eu me rendo!

O guri despachou os locais do pico pra seguir em frente. Foto: ASP

Quando o guri surgiu, eu juro que acreditava num futuro campeão mundial. Ele demonstrava aquela gana por vitória que só os campeões tem. Conquistava troféus como se fosse fácil. Bem, para ele, provavelmente era.

Daí, com esta naturalidade, classificou-se para o WCT vencendo o WQS com sobras. E já na primeira etapa, em Snapers, tirou um terceiro. Pronto. Tudo se confirmava, pensei eu, junto com meio mundo.

Ledo engano. O estilo estranho (caranguejex, de caranguejo) e a falta do uso das bordas comprometeu e o guri começou a despencar ranking abaixo. No ano passado, safou-se (classificando-se para o WCT via WQS) por pouco: venceu duas etapas de WQS, aos 45 do segundo tempo, em ondas ridiculamente pequenas. Que sortudo, pensei, arranjou duas etapas com ondas que só ele consegue surfar e está lá outra vez.

Mas a história reservou uma surpresa: o guri está dando um jeito de driblar a deficiência no estilo e na surfe "boardless" com uma estratégia de competição que talvez só perca para o careca, senhor todo poderoso das competições.

Tem competido de forma impecável e a sua primeira vitória no WCT, arrisco, é uma questão de tempo. Pouco tempo. E o release da ASP, que normalmente é resumidíssimo, mencionando apenas a "panela", já não se permite mais este direito. O guri virou figurinha fácil nestes textos:

"Brazil’s Adriano de Souza, who sits 4th on the ratings, continued his roll to take out South Africans Jordy Smith and Travis Logie today. 'I can't believe I won that heat,' de Souza said."

“To have two South African guys in my heat was really hard, they know this spot well. I was sitting out back waiting for the bomb and I got it and got a 9.00 which gave me the confidence to win the heat and beat Jordy. I've been on tour for two years, so I have more experience and I think that is how I won the heat.”