segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Zen e o Surfe

Os amigos George e Torrano, fundadores da ilha Wavetoon, me pediram que convidasse vocês para um evento que acontece nesta quarta-feira, 21 de janeiro.

Trata-se de uma palestra da Monja zen budista Isshin Havens, que vai falar aos surfistas gaúchos e simpatizantes, sobre a profunda ligação do Zen com a arte do surf e inicia-los aos primeiros passos na prática do zazen, a meditação praticada nos mosteiros e centros budistas.

O encontro será no Yázigi Menino Deus, às 19h30min do dia 21 de janeiro de 2009.

A Monja teve alguns contatos com o surf nos anos de 2006 e 2007, e nestas ocasiões percebeu que os surfistas, ou qualquer pessoa que conseguir deslizar numa onda, imediatamente atinge um estado mental chamado de “samadhi” entre os budistas. Esta alteração de consciência é semelhante a que alcançam meditadores com a prática Zen.

O objetivo do encontro é mostrar aos surfistas, que já conhecem este estado de consciência, como eles podem através da prática do zazen e do surf, entrar em “samadhi” não só durante as práticas, mas em todos os momentos das suas vidas.

A entrada é franca e as vagas são limitadas.
Inscrições pelo número (51) 3013.1908

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Fantasy Surfer

Mulher, nova no jogo e também aposta no Heitor...lê aqui.

Aposta

"At the beginning of the year I told you I thought Jihad would do better then Heitor. (Sorry Heitor - I was wrong, and you’ve spanked me twice this year.) You’ve claimed your Tiago call many times over, and Heitor. Both great calls that I now totally agree with. Are there calls that you’ve made at the beginning of the year that you now see where way off? I bet that Jordy would win a contest this year."
CJ Hobgood no blogue dele, entrevistando Lewis Samuels,
o cara que escreve o Power Rankings, do Surfline.


Quando Mineirinho surgiu para o mundo, eu cheguei a apostar nele como um futuro campeão mundial. A maneira como ele tomou de assalto o WQS sem tomar conhecimento de ninguém, me enganou fácil.
Depois, examinando com mais atenção o surfe do guri e comparando-o com os resultados que ele estava obtendo no WCT, me decepcionei. Critiquei bastante a falta de linha, surfe de borda e afirmei que o seu futuro no circuito mundial estava com os dias contados.

Nem 8 e muito menos 80. O guri é, acima de tudo profissional. Quem não tem cão aprende a usar o que tem e corrige o que é possível ser corrigido. Mineirinho jamais vai ter a linha do Joel Parkinson. Tampouco vai cravar a borda como Bede Durbidge. Mas aprendeu a competir no WCT. Está usando a prioridade como ninguém e - observem - normalmente são dele as duas melhores ondas que entram na bateria. Numa competição onde o vencedor ganha no detalhe, ter a melhor tática faz toda a diferença. Ou alguém aí acha que o Careca apenas surfa melhor do que todo mundo?
O problema é justamente quando o detalhe favorece o outro lado. Acredito que o Mineirinho está onde merece: Top 10. Sem dúvida, é um dos dez melhores competidores do mundo. Mas toda a vez que ele competir contra os Top 5 vai sofrer. E na maioria das vezes, vai perder (como tem acontecido quando cruza com o Careca). Sabem por que? Porque mesmo que ele pegue as duas melhores ondas e mantenha a prioridade, o outro cara vai cravar mais a borda e vai desenhar a onda de forma mais suave do que ele. E os juízes do WCT tem o olhar apurado. Eles tem o replay, para ser assistido quantas vezes forem necessárias, antes de soltar a nota. E neste caso, apenas neste, o detalhe vai jogar contra o Mineiro.

Tudo bem, mas o que tem a ver a frase do CJ lá em cima com o Mineiro? Nada. Tem a ver com o Heitor. Na minha humilde opinião, trata-se do único brasileiro hoje, com linha e consistência pra enfrentar aqueles 5 que não vão perder pro Mineirinho.
E não estou sozinho com esta opinião. Tenho lido em diversos lugares - fora do Brasil - que o Heitor tem surfe pra chegar lá. Quem não se deixa impressionar por fogos de artifício ou aéreos 360, sabe que este cearense tem o algo mais. Não que ele não tenha o seu arsenal de confetes e serpentinas, mas isto ele guarda para a hora em que é necessário um último recurso - como naquela bateria (quase) perdida em Imbituba. Mas daí são outros quinhentos: era uma fechadeira de 2 metros. Um floater? Um reentry? Nada! Vai de voadeira mesmo!

Claro que ainda é cedo pra apostar e exigir qualquer coisa do cara. Mas teria sido a maior injustiça se ele não se reclassificasse. Tive o prazer de encontra-lo dentro dágua em Tramandaí, na semana antes do Natal (ele veio passar o final de ano com a família da noiva) e não resisti: remei até ele e lasquei: "fora o Careca tu és o único titular no meu Fantasy Surfer. E digo mais, com a tua linha de surfe, só não serás campeão mundial se não quiseres...". Ele ficou me olhando com cara de quem não entendeu nada e respondeu: "Eu preciso ganhar experiência..."

Tudo bem Heitor, tome o tempo que precisares, mas entende uma coisa: linha de surfe não se aprende. Ou se nasce com ela ou não. E isto tu já tens. Agora trabalha naquilo que te falta.

Minha aposta.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Bolido

Fórmula 1 do surf: a "Deep Six" do Careca e do Al Merrik. Foto: Surfline

Qual um carro de fórmula 1, a prancha do sujeito que vence tudo, tem que ter algo especial. Alguma curva diferente, um concave novo aqui, uma quebra na linha ali e até um outline meio esquisito. Alguma coisa diferente da prancha que está à disposição na loja ela deve ter.

Desde que eu vi o Careca surfando de 5'11" o Pipe Masters em ondas pesadas, estou com minhocas na cabeça. Digo isto porque antes dele começar a moda das pranchas estreitas e com espessura de pizza (lembram?) eu já incomodava o meu shaper com a idéia de que além do peso e altura do surfista, o tamanho do pé também tinha que ser levado em consideração. Eu defendia a idéia de que um sujeito com o pé 36,5 (meu caso) precisava fazer mais força para botar a prancha de borda do que o cara que calça 42. É lógico que jamais fui levado a sério e minhas pranchas seguiam com mais de 18,5' de largura. Minha salvação foi o surgimento daqueles modelos ridículos que só o Careca conseguia surfar. A partir dali minhas pranchas passaram a sair mais estreitas.

Agora, outra vez, o cara está virando o mundo do design de pranchas de cabeça pra baixo. Li no blogue do Stephan que a prancha que ele pretendia usar (no Pipe Masters) éra uma 5'3" e só não usou porque ela quebrou ao meio pouco antes do evento. Mesmo assim, naquelas condições, usar uma 5'11" é ridículo!

Fiquei impressionado. E curioso. Hoje, aproveitando alguns minutos de internet que a minha provedora de internet resolveu me "dar" (o sistema está completamente congestionado e não se consegue conexão aqui na praia), resolvi passear pelos blogues da vida e encontrei uma matéria sobre o design da nova fórmula 1 do surf. Clica aqui e vai no Sal pra seguir as pistas.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Natal

Feliz Natal!

Natal, época de correria, de rever os parentes, de surfar todos os dias, de tostar no sol, de matar as saudades da praia, de perder os kilos extras adquiridos durante o inverno, de gastar além da conta com presentes e as contas da época (IPTU, IPVA, etc.), de planejar, de refletir, de dormir muito, de ler os blogues que costumava ler quando sobrava mais tempo, de ler todas as revistas que se empilharam nos últimos meses, de terminar de ler aqueles livros que me encaram há horas e, finalmente, de postar algumas pérolas neste blogue que tem andado tão esquecido.

Aproveitando o papo, copio abaixo um pedacinho de texto do blogue do Mário Amaya, que li hoje. Achei bem legal. Mas vale ler todo o resto, clicando aqui.

"12. Todo agente de serviço público que o ignorou e maltratou ao longo do ano pede caixinha com um sorriso imaculado. Toda empresa privada que o explorou e manipulou ao longo do ano faz anúncios com mensagens bonitinhas de fraternidade. As pessoas mais falsas e politiqueiras da sua empresa são as que com mais afinco se encarregam de enviar spams cafoníssimos de cartões virtuais para todo mundo. Do governo só não se ouve nada porque as férias deles começaram em novembro."

sábado, 13 de dezembro de 2008

Nove

“My season is all about nines,” Slater said.
“Winning this event nine years later, I needed a 9th in the ninth event of the year
to win my 9th ASP World title, it's crazy." Foto: ASP

O mais incrível desta estória toda, é que o mesmo sujeito que apresentou ao mundo uma nova forma de atacar a onda, há pelo menos 10 anos, continua sendo o mesmo, ainda inventando maluquices (ou não), como surfar Pipeline grande e cavernoso numa 5'10" ou entubar de joelhos para encaixar melhor no tubo - não que ele fosse pequeno.
Grab rail? Lay back? Que nada, vai de joelhos que encaixa melhor! Foto: Surfline

Kelly Slater, "careca" para os íntimos (como você e eu), é um exemplo de superação, eficiencia, concentração e determinação. Ninguém, em nenhum outro esporte, jamais conseguiu se manter tão à frente do bolo como ele. E por tanto tempo. Assisti todas as competições vencidas por ele em 2008 e não tenho a menor dúvida ao afirmar: o sujeito nunca surfou tão bem como agora. Do jeito que a coisa vai, se ele quiser, o "dez" vem facinho, facinho.

Pipeline quebrou "daquele" jeito no dia da final. Marrom, lisa e cabulosa. Foto: Surfline

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008